Foto: Patrícia de Sá

Eu vivi com minha avó nos anos de 1988 e 89. Só nós dois em um apartamento no Santa Lúcia, ela já com mais de 70 anos e, ainda assim, todo final de semana ela ia até a feirinha e comprava suspiros porque sabia que eu gostava.

Claro que, de um em um, ela sempre comia mais da metade do saco, mas não importava. Era excelente vê-la se aproximando da mesa de 5 em 5 minutos murmurando desculpas para si mesma “hmmmm, tá gostoso mesmo, vou comer só mais um”.

Foi época de colégio, os dois últimos anos do que era na época o segundo grau. Ela amassava a massa do pão de queijo e fazia quentinho no final da tarde só para deixar pronto e guardado durante a noite porque sabia que eu gostava de comer pão de queijo dormido.

Avós são assim, pelo menos os meus, sempre mostrando aos netos que vale mais um gosto do que um troco. Vendo importância nos nossos caprichos e pequenos desejos, entendendo que agradar a quem se ama é o prazer maior que há.

Mas o que mais me marcava em minha vó é que uns 20 anos depois, rodeando os 90, ela ainda se lembrava, ao encontrar comigo, de todos os meus amigos. E a conversa, mesmo com ela já acamada, tinha gosto de memórias, suspiros e pão de queijo dormido.

– E o Bruno Coelho, tá bem? Você tem visto o Bruzzi? E o Miana, Maurilo, ainda tá morando fora? Tem notícias do Bruninho?

Feliz Dia dos Avós a todos os avós, pais e filhos que sabem a doçura desse carinho.