Foto: Dynelle Coelho

De quem ela gosta pra dançar a quadrilha? Eu sei que é de mim porque ela, quando me olha, ri de um jeito que não ri pra mais ninguém.
Não é do menino mais forte, nem do mais alto ou do mais inteligente. E se for falar do mais bonito, acho que o mais bonito pra ela sou eu, porque outro dia eu vi ela cochichar meu nome com a melhor amiga e fiquei vermelho e saí correndo pra jogar bola.

Ela não nega e nem confirma, mas tenho certeza de que quer ser o meu par. Ela, vestido de chita. Eu, camisa de flanela. Nem precisamos ser o noivo e a noiva. Só dois fazendo um par tá bom demais e qualquer coisa além disso é ganância.

No dia da festa fui falar com a menina. Eu, bigode de carvão. Ela, trancinhas bem presas. Chamei pra dançar me morrendo e a professora me puxou pelo braço: “sua parceria é aquela ali, menino” e me chegou pra uma outra que eu não amava nem de pouco.

A quadrilha girava, a fogueira queimava e eu olhava pra ela quando estendia meu chapéu, vazio como meu coração. De vez em quando ela também olhava pra mim e aí o amor me doía um pouquinho mais a cada anarriê.