Meu segundo filho nasceu há dois meses e desde então tenho amadurecido sobre o que eu realmente gostaria de contar a vocês por aqui. Durante esse período, vivenciamos um tipo de “lua de mel em família” e muita coisa bonita aconteceu. Eu poderia listar as evoluções do Raul nesses dois meses, pontuar o que ele já consegue ou tem dificuldade para fazer a essa alturinha da vida, contar sobre suas primeiras risadinhas, rotina do sono, peso, altura, mamadas e passeios. Mas não, esse post não é sobre isso.

Esse post, na realidade, é pra contar o que ele tem nos ensinado desde que nasceu. Sim, tão pequenininho e já anda deixando lições por aqui. E se tem algo que a convivência com Raul tem nos afirmado a cada dia, é que o segundo filho, certamente, é um amálgama. Ele fortalece e consolida o relacionamento dentro de casa. O segundo filho não dificulta, facilita. Não pesa, deixa os dias mais leves. E é verdade.

Isso acontece, eu acredito, porque o nosso jeito de ver as coisas fica um tanto diferente. Pode parecer poético demais, mas de fato, nos encantamos com o encantamento da primogênita no dia a dia em relação ao irmão. Um beijinho na cabeça; a vontade de apresentá-lo aos coleguinhas; o aviso, em tom importante, como a guardiã do irmão, ao ouví-lo chorar: mamãe, Raul já acordou, ele quer mamar!; o cochicho na conversa quando percebe que está dormindo, para não acordá-lo. E a pergunta, todos os dias, ao chegar da escolinha: mamãe, onde está o meu irmão? Vamos enxergando que conviver com o outro, só nos engrandece. E emociona bastante também.

Dizem que o frio na barriga e um pouco de medo indicam que estamos fazendo algo significativo e grandioso na vida. Gerar um novo ser passa por esse caminho. Se é a segunda gravidez, então, a importância duplica. Vivi essa gestação pensando em como seria penoso passar novamente pela privação do sono, em como teria que exercer a paciência com a primogênita e seu ciúme em relação ao irmão. Procurava estratégias para não ficar nervosa e irritada com os percalços e ansiedades de se ter um recém-nascido em casa novamente.

Aí o segundinho chegou e desconstruiu minhas certezas, estabilizando a nossa convivência em família. Porque a privação do sono que eu tanto temia, existe, mas está longe de acabar comigo (certamente pela experiência já vivida). Porque o ciúme da irmã é muito menor do que o carinho que ela demonstra por ele. Porque a ansiedade antes tão presente, deu lugar à segurança de perceber que, por mais que algo possa parecer difícil, com certeza vai passar.

Pode parecer que não vivenciamos nenhum tipo de perrengue nesses dias, mas não é bem assim. Acontece que, de fato, o que dizem é verdade: com o segundo, o difícil fica mais fácil mesmo.

Portanto, mamães e papais que pensam em ter o segundo bebê: tenham coragem, enfrentem esse desafio e verão como é deliciosa a jornada. Convido vocês pra seguirem com a gente nessa aventura 🙂