Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno e muito felizes em poder falar sobre esse tema justamente nesse momento, quando nós duas – eu e Flávia -, estamos amamentando dois pequeninos em nossas vidas. Olívia, completando um ano mamando na mamãe e Raul, no seu 3º mês de vida, sugando a todo vapor.

Se alguém toca no assunto “amamentação” perto de uma mãe, certamente vai ouvir uma história contada como única, cheia de detalhes das alegrias e/ou das dificuldades vividas. Como superou a vontade de desistir, criou forças e venceu; como teve problemas que não permitiram alimentar o bebê com o leite materno; ou como conseguiu amamentar, talvez por um ano, seis meses, ou mesmo por algumas semanas, doando-se por amor e oferecendo o que tinha de melhor para o seu filho.

Por aqui não tem sido diferente. Com a prematuridade da Sara, que me deixou um tanto abalada, quatro anos atrás, bem que dava para ter jogado a toalha – foi quase (essa história está AQUI)! Mas segurei o rojão e ela mamou até um ano de vida. Agora, com as fissuras e mastite adquiridos nos primeiros dias de vida do Raul, foi por um triz que eu não pedi demissão (oi?).

Achei que tiraria de letra a amamentação do segundinho. Pra quê me preocupar com isso, afinal, amamentei a minha primeira filha por tantos meses, esse negócio de dar o peito é moleza! E com 15 dias lá estava eu, cheia de febre, no consultório da obstetra, pedindo pelamordedeus, um remédio pra me fazer voltar ao normal e alguém pra me substituir (oioi?).

A verdade é que eu pisei na bola em questões básicas. Hoje percebo que a emoção por ter o pequeno em alojamento conjunto, como acontece hoje com a maioria das mamães – mas tão diferente da minha história com a Sara – me fez esquecer de dar atenção à amamentação. Esqueci que, é claro, a mama vai encher nos primeiros dias se não for esvaziada. Esqueci que se o leite não sair, o peito vai engurgitar, empedrar, vai dar problema. Esqueci que o bebê pode querer sim, dormir mais tempo que o previsto nos primeiros dias, jogando aquele charme de “não se preocupe, sou um anjinho que não vai atrapalhar seu sono”. E se ele não esvazia, a gente precisa encontrar outra solução: seja na mão, na bomba, como for: tira esse leite daí, porque senão a coisa complica.

Foi por isso que me vi, antes do Raul completar um mês de vida, com uma mastite desanimadora. Deu vontade de desistir, mas aquela vozinha lá dentro empurrava e teimava em me fazer insistir nessa história. Respira fundo, passa pomada, pesquisa, esvazia a mama e com o tempo tudo vai entrando nos eixos.

É que amamentar é isso: amor, doação e descobertas. A gente ama o aconchego do bebê, a gente doa nosso tempo e disposição e a gente descobre que é bem mais forte do que podíamos imaginar.

Nesta Semana Mundial da Amamentação, lembramos a todas as mamães que vocês não estão sozinhas nessa. E que a sua história sempre será a mais linda de todas, pode apostar. Comece a escrever e você certamente vai encontrar um belíssimo final.

Amamentar é um gesto de Amor, Doação e Descobertas

O que você Doa:

:: Suas horas de sono
:: Sua disposição
:: Suas vitaminas
:: Seu tempo, parando para amamentar de 3 em 3 horas
:: Suas idas ao salão, que se tornam menos frequentes
:: Suas refeições, que se tornam mais rápidas e às vezes menos nutritivas
:: Sua roupa limpa, que toda hora está golfada


O que você Ama:
:: Os primeiros sorrisos – mesmo aqueles involuntários, após as mamadas, com a barriguinha cheia
:: A mãozinha segurando no cabelo, no peito, na gente
:: Os olhinhos fixos na gente enquanto sugam
:: O cheirinho
:: O aconchego

O que você Descobre:
:: que dá pra assistir a um ou dois episódios completos de seriado enquanto amamenta (e até o fim da licença maternidade, algumas temporadas completas)
:: que o viva voz do telefone foi a melhor invenção do mundo
:: que o smartphone foi a segunda melhor invenção do mundo

:: e principalmente: que somos muito mais fortes do que podemos imaginar