Ah, a maternidade… Faz um tempo, passei um sufoco com a Cecília que me fez perder o chão {assunto para outro post}, e quando eu me refazia do tal susto, vem outro e pá! Me refaz de novo! Sim, porque depois dos piripaques dos filhotes – se usarmos um termo bem simplista – a gente não é mais a mesma.

Aconteceu em um final de tarde de um dia qualquer, faz uns três meses mais ou menos – sei lá!
Foi muito rápido e de repente, Olivia estava mamando quando suas mãos e pés gelaram. A princípio, achei que era frio, a agasalhei, e logo notei que o corpo estava roxinho. Voltei a amamentá-la quando começou a tremer, e se tivesse todos os dentinhos, poderia dizer que estava rangendo, de tanta força que fazia. Ela estava convulsionando. Tentei manter a calma e lembrar de tudo o que já havia lido e sabia sobre o assunto. Como estava com Cecilia – estávamos as três em casa – mantive-a no meu colo, apoiando a cabecinha, liguei para o marido (corre, vamos ao hospital!), para a mãe (torce aí!), para a madrinha de Ciça buscá-la e pedi para a pequena se arrumar. Nessa altura, ela estava em prantos, preocupada com a irmã e porque percebeu meu nervosismo.

Depois da tremedeira, Olívia ficou ausente – olhar catatônico, para cima e de lado – eu a chamava e ela não atendia. Em seguida, foi voltando, mas totalmente prostrada. Consegui medir a temperatura e estava 38,5° – uma surpresa, pois para mim, convulsão febril acontecia devido a febre alta. O pai chegou e fomos ao hospital. No meio do caminho, a pediatra pediu para ministrar um analgésico via supositório, uma vez que a febre já estava na casa dos 39° (eu já deveria ter medicado em casa). Quando chegamos ao hospital, depois de pegar todo o trânsito, ela entrou como prioridade e ficou em observação por duas horas. Não foi necessário medicá-la, mas a plantonista não pediu nenhum exame de sangue ou urina para averiguar a causa da febre. Diagnosticou como gripe, considerando o meu relato – ela realmente vinha de um quadro de resfriado, mas o atendimento foi precário. Dois dias depois, estávamos novamente no PA, agora em função de uma madrugada com febre alta – sem convulsão – e com todos os exames feitos, foi diagnosticado infecção urinária.

Muita informação equivocada é compartilhada nesse mundo virtual. Eu pude contar com o acompanhamento da minha médica e da ajuda de uma querida amiga, que também já passou por isso com a filha mais velha – veja o relato no final.

Passado o susto, o post fica como um alerta, afinal, grupos virtuais/reais de mães nem sempre contêm as informações corretas de como devemos agir – busque prioritariamente se informar com o médico do seu filho. Jamais coloque álcool na testa da criança, ela pode inalar. E não acredite que febre passa, ou que é um sinal de melhora, ou que só depois de 39º você precisa medicá-la – com o argumento de que conhece seu organismo. As crianças são vulneráveis, precisam de tratamento, busque informação e orientação junto ao pediatra.

Por que a convulsão aconteceu? 
Devido a um aumento repentino de temperatura. Não precisar ser uma febre alta, mas um aumento rápido. A convulsão causada pela febre acomete, geralmente, crianças dos seis meses de idade até os seis anos de idade
E agora, como e quando ela será medicada?
Pode ser que seja a única crise que ela tenha na vida, mas entrou em um “grupo de atenção”, por isso, a partir de 37,5° já precisamos medicá-la e se chegar a 39°, ministrar via supositório.
E se a crise acontecer, como devemos agir?
– deitar a criança de lado, mantendo o queixo distante do peito, apoiando a cabeça e mantendo a coluna ereta
– em caso de febre, medicar conforme a orientação do pediatra
– pode acontecer da criança evacuar ou soltar um pum bem fedorento
– quando
acaba a convulsão, pode ser que a criança durma, como se o cérebro desligasse, é normal
– observar se ela ficará cianótica, roxinha, para relatar ao médico

Importante:

– não há risco de morte, mantenha a calma
– não enfie a mão na boca da criança para segurar a língua – uma prática recorrente do passado, com a força, a criança e você podem se machucar
– verifique com o médico pediatra que acompanha seu filho, como você deve proceder caso seja uma crise recorrente, muitos pediatras e neuropediatras orientam que só devemos ir para o pronto atendimento se a convulsão ultrapassar 15 minutos.
– anticonvulsionantes só devem ser receitados pelo médico – neuro ou pediatra.

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Um relato de quem também vivenciou:

“A primeira crise convulsiva febril aconteceu aos 1a9m. Em um destes episódios de virose de outono, trouxe minha filha pra dormir comigo. Acordei às 2h com a sensação de um braseiro ao meu lado. Resolvi levar até o chuveiro para refrescá-la, pois ela aparentava estar muito quente mesmo. Ao tirar a roupa dela e entrar no banheiro, vivemos o pior pesadelo imaginável. Minha filha ficou atônita, começou a desfalecer, lábios arroxeados, tremendo, completamente sem cor na tez… Foi tudo muito rápido, uns 30 a 40 segundos, talvez, mas muito, muito apavorante. Sensação péssima de impotência, medo, o desconhecimento e o sentimento de ‘por que comigo’? Ela soltou um pum bem fétido e adormeceu profundamente. Serenamente. E eu e meu marido, desesperados, sem saber o que fazer. Medíamos a temperatura de hora em hora. Medicamos, claro, e às 7h finalmente a pediatra nos atendeu. O google já tinha me mostrado dois textos (fracos) e eu já imaginava o que tinha acontecido. Exame clínico feito naquela mesma manhã e muitas perguntas depois, ficamos sabendo que aquele evento provavelmente seria um isolado, mas deveríamos ficar atentos. Pouco mais de dois meses depois, dia do seu aniversário e festinha na escola. Estávamos todos prontos, roupa e uniforme trocados, embalando os últimos quitudes na cozinha. Lá vem a danada da convulsão novamente. Desespero desta vez. Já sabíamos agora que se houvesse uma reincidência, seria preciso uma investigação mais minuciosa, pois havia chance de não ser febril. Me lembro até hoje de eu, grávida de 28 semanas, entrando no consultório com minha filha dormindo pesadamente após a convulsão, chorando copiosamente e toda a comida e bebida da festa espalhados na minha casa. Fomos encaminhados para uma neuropediatra, que solicitou uma série de exames e modificou alguns protocolos. Graças a Deus tudo não passou de fato de convulsões febris. Minha filha tende a subir a temperatura em ‘alta velocidade’ (não necessariamente atinge patamares altos, nos dois episódios foi com 38,2° e 37,9°), e o organismo se assusta com a alta repentina. A partir desse dia a orientação era medicar com antitérmicos assim que chegasse em 37 graus e por 72 horas consecutivas, religiosamente a cada 6 horas, e se necessário fosse intercalando drogas a cada 4 horas. Montamos todo um esquema para saber qual a ordem dos antitérmicos disponíveis seria a ideal. Fomos recomendados também a utilizar um anticonvulsivante, um medicamento tarja preta, para os episódios de febre, a fim de evitar que algo pudesse se repetir. Chorei muito, muito mesmo, mas a natureza, graças a Deus, me permitiu um resto de gestação e puerpério tranquilos, e depois daquele agosto, o próximo episódio de febre só aconteceu bem depois, já em março do ano seguinte. Neste tempo todo consegui me informar e buscar muita informação, amadurecer sentimentos. Foi possível compreender inclusive que o que ela passou é muito, muito comum. E que pode ser que nunca mais aconteça, assim como, segundo a neuro colocou, pode voltar a acontecer, até os 6 anos de idade. Chegamos ao final de mais um outono / inverno com pouquíssimos episódios de viroses e infecções, e nenhuma outro convulsão. UFA! Agora já tenho o outro bebê e ele também já teve febrículas, e a pediatra me deu tranquilidade para com ele seguir o protocolo antigo de aguardar a febre branda chegar a 38º para só depois medicar, respeitando assim o tempo que o organismo dele tem pra se autoregular. Como os dedos da mão, cada filho é um, e até que se prove o contrário (e este nunca acontecerá, eu creio!) meu bebê não precisa seguir o protocolo da irmã. A mais velha, porém, continua com consultas a cada 3 meses com a neuro, e agora passarão a cada 4 meses e depois para 6 meses, até completar o 6° ano. Melhor prevenir que remediar, sempre!” 
Thais Alencar, mãe da Beatriz, de 3 anos, e Gabriel, de 10 meses

Neste vídeo do Hospital Israelita Albert Einstein, há indicações de como proceder: