O medo faz parte do ser humano. Sentir medo tem seu lado positivo: proteger garantindo a vida. Mas, há aqueles medos bem comuns na infância que na maioria das vezes se tornam um bicho papão para os pais.

Ao nascer, o único medo que o ser humano possui é o de barulho muito alto. Com o tempo, vão surgindo outros, como o de se separar das pessoas com quem mais convive, o medo dos “estranhos” e, após o segundo ano de vida, começam a aparecer os mais variados medos como o do escuro, de animais e insetos, de estar sozinho, de monstros e fantasmas, de médicos e vacinas, da morte, de doenças, de pessoas más etc.

O surgimento destes medos tem a ver com o desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança. Até os sete anos, a criança ainda não tem a capacidade completa de separar o que é real do que é imaginário. Uma criança de cinco anos saberá mais sobre isto do que uma de dois e, por isso, os medos vão ficando cada vez mais elaborados e mais próximos dos mais comuns dos adultos, como, por exemplo, a morte, a violência e doenças graves.

Por fazer parte do desenvolvimento, a maioria deve ser encarada da forma mais natural possível, sem dramatização, comparações, sem ridicularizar a criança e/ou reforçar o medo. Famílias que têm o hábito de ameaçar seus filhos com frases como “se você não me obedecer a bruxa vai ao seu quarto à noite”, terão mais problemas para lidar com os medos de seus filhos, e estes, com certeza, terão medos mais exacerbados do que as outras crianças que não sofrem este tipo de ameaça.

Porém, há crianças que sofrem absurdamente por causa de seus medos. Nesses casos, é extremamente importante que os pais acolham os filhos e nunca subestimem os seus sentimentos. A melhor maneira de lidar com o medo é assumí-lo. Então, quando a criança vier aos prantos, tremendo, dizendo que está com medo do quarto escuro, pegue-a no colo, abrace-a e pergunte o que ela acha que tem lá no escuro. Dependendo da resposta, diga a ela que não há nada daquilo. Por exemplo, monstros só existem nas histórias, diga que a casa de vocês é muito segura e não tem como entrar nada nem ninguém que possa lhe fazer mal, e então pergunte se ela quer ir lá com você para confirmar que o que foi falado é verdade. Essa atitude deve ser repetida sempre que a criança estiver sofrendo com seus medos. Ela precisa de explicações para superá-los. Depois de muita conversa e acolhimento, ela começará a perceber que não há necessidade de ter medo daquilo que lhe afligia.

É importante ressaltar a diferença de medo e fobia. O medo está ligado a uma situação real que causa perigo, podendo obviamente causar uma ansiedade momentânea. Porém, passada a situação de risco, tudo volta ao normal. Já a fobia, trata-se de uma patologia que mesmo sem a situação real de risco, gera uma crise de ansiedade que normalmente prejudica a vida cotidiana. Nesses casos, quanto mais cedo procurar ajuda profissional, melhor.

Portanto, queridos pais, fiquem atentos às reações de seus filhos e tentem identificar aquele medo que é saudável, que faz parte do seu amadurecimento, sempre acolhendo-o, mas não supervalorizando-
o. Caso perceba que há algo de errado, não tenha receio em procurar ajuda.