Há mais ou menos dois anos publicamos um post sobre os motivos que levam as crianças a mentirem. Relatamos três razões: medo de punição, medo de se sentir rejeitada e imitação de seus cuidadores.

Hoje retomamos este assunto, mas focando no medo de se sentir rejeitada, que é o mais frequente entre as crianças maiores de três anos e que pode perdurar até o final da adolescência se não for bem trabalhado na infância.

É característica do ser humano evitar a dor. Isso faz com que a maioria das crianças comece a mentir. Pelo fato de vivermos em sociedade, ela tem a necessidade de se sentir inserida em seu grupo e não gosta de se sentir diferente. Infelizmente, a maneira mais fácil que ela encontra para se igualar aos colegas é dizer que faz ou tem algo que na verdade não faz ou não tem.

Se a criança for muito calada em casa, os pais demorarão para saber que essas mentiras estão sendo ditas. Ela vai mentir, por exemplo, na escola, vai se sentir parte daquele grupo, e se dará por satisfeita. Os pais não ficarão sabendo de absolutamente nada. Mas há crianças que chegam em casa e contam tudo – aí fica mais fácil de reconhecer a mentira e de ajudar a criança. Por isso, o diálogo é extremante importante dentro de uma família. Saber o que está acontecendo com os filhos é a maneira mais fácil de conseguir ajudá-los.

O mais importante quando se descobre que a criança mentiu é procurar perceber e entender o porquê da mentira. Na maioria das vezes, a mentira acontece depois de muito sofrimento, e isso não quer dizer muito tempo, mas sim muita ansiedade, medo e angústia. Elas sofrem para mentir, só que quando têm a “recompensa”, se sentem aliviadas. É aí que mora o perigo: quando a criança passa a achar que o que ela ganha mentindo é bom, a chance de passar a mentir compulsivamente é enorme, pois já “sabe” como resolver seu sofrimento rapidamente.

É extremamente importante que os cuidadores observem quando eles levam as crianças a mentirem. Por exemplo: quando os pais, babás, professores e avós cobram muito da criança certa atitude como não usar mais a fralda à noite e essa cobrança vem com comparações como “fulano não faz mais isso”. Este comportamento gera na criança uma angustia exacerbada que ao invés de incentivá-la, a inibe e a faz se sentir mal por não conseguir realizar o que está sendo exigido. Para livrar-se dessa cobrança e desses sentimentos negativos, a criança passa a mentir.

Portanto, sempre incentive seu filho a tentar fazer coisas novas, mas sempre respeitando o tempo dele e suas limitações. Nunca o compare a ninguém. Quando há respeito, atenção, acolhimento, não há necessidade de mentir.

Caso seu filho já esteja mentindo com frequência, procure acolher seus medos e a incentivá-lo a ser quem ele é. Ele não tem que ser igual a ninguém. Converse muito mostrando que a mentira lhe traz um alento rápido, mas que não é duradouro. Que assumir o que se sente e ser verdadeiro consigo e com os outros traz uma vida mais tranquila, leve e alegre.

A criança só vai aprender e entender que a verdade é sempre o melhor caminho se os seus cuidadores assim o fizerem. O exemplo é a melhor ferramenta de ensino. Então, ‘bora assumir suas próprias dificuldades e encará-las com a verdade ao invés de fugir com mentiras.