Atualmente, vivemos em uma sociedade em que a maioria das pessoas se acha no direito de se intrometer na vida dos outros. Quando se trata da criação dos filhos, a invasão a vida alheia perde o pudor e não pede permissão. Junto com a intromissão, vem as cobranças. Um turbilhão delas. Como se já não bastassem as “auto cobranças” que a maternidade traz.

Independente de nossa escolha, sempre haverá alguém para discordar, criticar e cobrar atitudes diferentes o tempo todo. Algumas das cobranças giram em torno dos porquês do comportamento de seu filho: o seu filho é assim ou assado, o filho do fulano é perfeito e o seu não é, ou que seu filho não faz nada direito e que a culpa é toda sua.

Enfim, cobranças descabidas e desnecessárias. Quem é mãe sabe exatamente onde o “calo dói”, o que não está dando certo para sua família, porém, mudanças de hábito e atitudes requerem tempo.

Perdi as contas de quantas vezes presenciei cobranças do tipo: “mas, se você sabe que isso não é bom por que já não cortou logo?”. Porque para manter sua saúde física e emocional, muitas vezes a mãe permitirá alguns “erros”de seus filhos. O que não significa que ela seja menos mãe ou que esteja criando um “monstro”. A mãe está sendo um ser humano, com suas limitações e defesas. Ela sabe que ser permissiva com um comportamento inadequado de seu filho lhe dará um trabalho no futuro, mas naquele momento é aquela que ela dá conta de fazer. Todo ser humano erra, todos nós temos dias de desamparo, dúvida, e auto cobranças. Assim como temos dias de orgulho e segurança de nossas decisões. O que não deve ocorrer é o comodismo. Quando nos acomodamos, as chances de dar errado aumentam. Isso vale tanto para erros quanto para os acertos. No primeiro caso, quando nos entregamos e desististimos, incutindo na cabeça de que “não há mais nada a se fazer”, a chance de desastre é maior. Quando nos sentimos no caminho certo, vitoriosas, tomando decisões assertivas, muitas vezes no iludimos, esquecemos que os filhos mudam, as circunstâncias mudam, e que isso exigirá nova atitudes e decisões. Não haverá garantias de acertos na primeira tentativa ou de que nunca mais erraremos.

Por isso, é sempre importante nos autoavaliarmos, refletirmos, buscar ajuda, informação e tentarmos sempre. A partir do momento em que conseguimos enxergar o que realmente está acontecendo, a cobrança alheia não nos abalará mais, pois estaremos cientes da situação, e cada um a sua maneira, buscará a solução.

A maioria das cobranças ocorre devido a infeliz mania da nossa sociedade de comparar tudo e todos. E uma grande parte dos pais tem dificuldade em reconhecer o verdadeiro eu de seus filhos. Transferem para eles seus medos, angústias e sonhos, e passam a exigir deles algo que não os pertence. Portanto, é fundamental para a família que o desejo e a personalidade de cada um sejam reconhecidos e respeitados. Isso não quer dizer que o filho deve fazer o que bem entender. Mas também não quer dizer que o filho só tem que fazer o que os pais querem que ele faça. Tudo deve ser muito bem avaliado e conversado.  Desejo a todos que consigamos viver com menos cobranças e comparações e com mais
amor e empatia!