Foto: Viviane Lacerda

Olá pessoal,


nos próximos posts, contarei um pouco a vocês sobre o que é a coordenação motora – termo tão usado por profissionais da área de desenvolvimento e educação. Vamos ver sobre o que esperar em cada etapa e o que podemos fazer para estimular a criança. 

Um abraço, 
Mari Lacerda
……………………………………………………

Uma das mais importantes habilidades básicas adquiridas na infância é a coordenação motora, que pode ser definida como a ativação de várias partes do corpo para a produção de movimentos que apresentam relação entre si, executados numa determinada ordem, amplitude e velocidade. A coordenação motora é a capacidade de coordenar os movimentos decorrentes da integração entre o comando central (cérebro) e dos músculos e das articulações.

Podemos classificar a coordenação motora em dois grupos:

. A coordenação motora grossa permite que a criança domine o corpo no espaço e controle os movimentos mais rudes, como por exemplo: rastejar, andar, correr, saltitar, pular, subir/descer escadas, etc.
. Já a coordenação motora fina é a capacidade de usar de forma eficiente e precisa os pequenos músculos, produzindo assim movimentos delicados e específicos. Este tipo de coordenação permite dominar o ambiente, propiciando manuseio dos objetos. Como por exemplo: escrever, pintar, desenhar, recortar, encaixar, montar/desmontar, empilhar, costurar, abotoar/desabotoar e digitar.

Várias mudanças ocorrem ao longo de nossas vidas relacionadas ao deslocamento de partes do nosso corpo ou dele como um todo no espaço. É durante essas mudanças que acontece o que chamamos de desenvolvimento motor.  Sabe-se que a atividade motora do recém-nascido é bem ativa, mas desordenada e sem finalidade objetiva, movimentando de modo assimétrico tanto os membros superiores como os inferiores. Alguns reflexos são próprios desta idade e ocorrem em praticamente todos os bebês. Os mesmos serão  inibidos nos meses que se seguem devido principalmente ao amadurecimento do cerebelo e do córtex frontal. Neste momento, inicia-se o surgimento de movimentos voluntários e melhor organizados, como a locomoção, manipulação de objetos e controle postural. Por isso, é fundamental que o bebê receba estímulos motores adequados ao seu nível de desenvolvimento.

Desde o início da vida o bebê se comunica, interage, explora os objetos e as pessoas através dos movimentos que ele faz. Tudo isso acontece de maneira mais ampla à medida que habilidades motoras grossas e finas vão se refinando ao longo do tempo e permitindo maior participação e engajamento nas suas atividades de vida diária.

Os movimentos estão presentes em tudo o que fazemos e temos o hábito de fazê-los de forma tão automática que muitas vezes passam despercebidos. Alguns pesquisadores afirmam que a maioria das crianças possui um potencial de desenvolvimento que as conduz ao estágio maduro por volta da idade de 6 anos. Outros pesquisadores afirmam que a conquista real vai depender da interação dos fatores tarefa, indivíduo e ambiente, durante o período de prática.

Para a execução da habilidade motora do pular corda, por exemplo, a criança deve apresentar o controle das partes do corpo em movimento (equilíbrio) e da relação entre os movimentos das diversas partes do corpo (força, velocidade, energia). Os fatores de controle motor (equilíbrio e coordenação) têm uma grande importância no início da infância, quando a criança está obtendo controle de suas habilidades motoras fundamentais. Os fatores de produção de força tornam-se mais importantes depois que a criança obtém controle de seus movimentos fundamentais e passa para a fase motora especializada da infância posterior.

O contexto físico e sociocultural no qual estamos inseridos são fundamentais para a aquisição das habilidades motoras. A maioria das habilidades motoras  que adquirimos ocorre no ambiente da nossa casa, no ambiente familiar, mas um bom número delas é adquirido na escola, nos primeiros anos de escolarização da criança. O contexto deve ser organizado de tal forma a oferecer as condições para que uma determinada habilidade seja adquirida.

Para a aquisição de cada habilidade motora há um momento específico (ou uma sequência de oportunidades) em que as condições são propícias para o aprendizado das mesmas. Cada movimento adquirido é influenciado pelo anterior e influencia o posterior. Os movimentos envolvem processos neurais específicos que vão desde a percepção de seu estímulo até a realização da resposta.

Alguns sistemas do corpo humano participam dos movimentos motores, como por exemplo: o sistema muscular, o sistema esquelético e o sistema sensorial. A interação desses sistemas faz com que as ações e as reações sejam equilibradas.

A infância é o momento mais importante para desenvolvermos todo o nosso potencial para que no futuro possamos desfrutar de todo o aprendizado adquirido nessa fase. Por isso, é tão importante oferecer ao bebê nos seus primeiros anos de vida experiências relacionadas à todos os aspectos do desenvolvimento. Quanto mais experiências adequadas a criança experimentar, mais ela estará apta a vivenciar o mundo ao seu redor, a aproveitar a suas capacidades e a se sentir segura para enfrentar a vida. Pesquisas afirmam que a falta de experiências motoras adequadas nessa fase pode comprometer o desenvolvimento posterior da criança, não somente em termos motores como também cognitivos, afetivos e sociais. Portanto, estudos comprovam que essa etapa pode ser considerada importante tanto para a geração de futuros atletas como para a formação de cidadãos que utilizam o esporte/atividade física apenas como ferramenta de educação, integração social, lazer, entretenimento e promoção da saúde.