Foto: Patricia de Sá



“Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão

Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali

Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero”

(A Casa – Vinícius de Moraes)

Dizem por aí que quem casa, quer casa, não é mesmo? E assim a gente monta um espaço, aconchegante, do nosso jeito, muitas vezes da forma como foi sonhado, idealizado, outras vezes da forma como coube no bolso, mas a gente ajeita daqui, arruma dali, enfeita acolá… E aí? Os filhos chegam, e aquele espaço todo se torna um espacinho, bem pequenininho…. Ninguém avisou pra gente que junto com os filhos vem um monte de tranqueira?! 
Uma querida amiga me confidenciou que certa vez ao receber uma visita – sem filhos – em sua casa, a convidada não perdeu a oportunidade de dizer que “aquilo ali uma vez havia sido uma sala” se referindo ao cômodo agora tomado por brinquedos, bebê conforto, cadeirinha, carrinho e afins. 
Com uma bebê em casa e uma menina peralta de 4 anos, temos vivido um momento com muitas mudanças na decoração da casa. Os enfeites foram engavetados, muitas coisas colocadas para o alto, a mesa de centro foi para o canto, empilhada, e um tapete de EVA tomou conta do espaço. Abrimos espaço para as crianças. Por quê?  
As crianças são seres ativos, os seus corpos são suas referências e elas evoluem com a estimulação, com a exploração dos espaços que fazem parte do seu cotidiano. As atividades motoras vivenciadas pelas crianças, em suas brincadeiras, estimulam a criatividade, a expressão da personalidade, devendo estar presentes no dia a dia e são representadas por toda e qualquer atividade corporal realizada em casa, na escola e nas brincadeiras.

O brincar, as atividades diárias, as experiências constroem o aprendizado. De zero a seis anos, o brincar é essencial, pois é a fase em que as crianças se entregam ao prazer de manipular e experimentar.  As crianças quando estimuladas se tornam mais ativas, dinâmicas, criativas, emocionalmente equilibradas, saudáveis e sociáveis. Para que isto aconteça de forma leve e segura para as meninas, abrimos espaço para elas. A sala – e a casa –  agora são delas. E por aí?

Foto: Patricia de Sá

Foto: Patricia de Sá

Foto: Patricia de Sá

Foto: Patricia de Sá

Foto: Viviane Lacerda

Foto: Viviane Lacerda

Foto: Patricia de Sá

Foto: Patricia de Sá