Quantas vezes já passou esse pensamento na sua cabeça? Acho que essa é a frase que mais ouço no meu consultório e confesso que já foi dita por mim algumas vezes. Esse desabafo normalmente aparece em momentos de desespero e frustração, quando já se tentou solucionar um problema de várias maneiras, mas sem sucesso.
O que tenho percebido, tanto na minha vivência como mãe, quanto como profissional, é que ficamos quebrando a cabeça com alguns problemas que nós mesmos “inventamos”. O nosso desejo de acertar sempre, de ter filhos perfeitos, nos causa uma cobrança extrema que na maioria das vezes gera na criança uma ansiedade gigante, aumentando o problema.
Para aliviar essa tensão, primeiramente é necessário reconhecer quem é seu filho, quais são suas características, o que ele gosta de fazer, de comer, o que o faz ficar tranquilo ou agitado. Um segundo passo é reconhecer você como pai ou mãe, que tipo de pai você consegue ser. Não há pais perfeitos, há pais que fazem o melhor que conseguem.
Quando você se aceita com as suas imperfeições, é mais fácil ser tolerante e respeitoso com os outros. Isso não quer dizer que deve-se acomodar em suas fraquezas, pelo contrário, evoluir é sempre bom e preciso. Mas quando se sabe quais são os defeitos e o que deve ser melhorado, a evolução ocorre de forma menos sofrida.  E assim você será capaz de aceitar mais as dificuldades de seus filhos e os ajudará ao invés de puni-los ou cobrá-los exaustivamente.
É sempre bom também avaliar o porquê de cada cobrança que você faz consigo e com toda a família. Será que isso que você quer é bom para todo mundo? “Ah, mas eu ouvi a fulana na roda de conversa dizendo que tem que fazer assim ou assado!” Ok, mas essa fulana conhece a sua família? Há muitas dicas bacanas nas rodas de conversa, nos livros, nas redes sociais. Mas qualquer regra/comportamento que você queira introduzir na sua família deve ser avaliada. E não tenha medo nem vergonha de voltar atrás quando perceber que aquilo não é tão bacana assim para vocês.
Quanto mais respeito e diálogo houver dentro de casa, menos haverá sensação de desespero e frustração. Sempre que for chamar atenção de seu filho por algum motivo, pare e pense: ele realmente está errado? Procure saber os motivos da sua atitude. Diga mais sim e menos não. E toda vez que o não for necessário, explique o porquê.  E lembre-se: todos nós aprendemos errando, e não será diferente com a criança, afinal, ela está começando a experimentar o mundo e ainda irá errar muito. A criança não nasce sabendo o que é certo. Então, não se cobre tanto, respeite-se mais e nunca desista!