Na última semana, recebemos o convite para ir ao lançamento oficial do documentário “O Segundo Sol”, do casal Fabrício Gimenes e Rafaella Biasi. Infelizmente, não pudemos comparecer, mas, já assistimos ao filme (LINK) – que está disponível gratuitamente online. Pessoal, assistam! Precisamos conscientizar a todos sobre como é importante um olhar empático e o respeito diante da dor, do luto do outro.

Fabrício e Rafaella
Foto: Eliza Guerra

“Dar voz ao luto e apoio para mães e pais que passaram pela triste experiência de não seu filho para casa”. É assim que o casal Fabrício Gimenes e Rafaella Biasi, responsáveis pelo documentário resumem o objetivo do trabalho.

Sensível e de forma respeitosa, o documentário aborda um tema tão delicado – a perda de bebês. Contando a histórias de 5 famílias que vivenciaram a perda gestacional e neonatal, além de profissionais de saúde, o trabalho é uma oportunidade de conscientizar as pessoas do entorno de quem está de luto sobre a perda.

A sensibilidade do casal diretor é tamanha inclusive na escola do nome “O Segundo Sol”: “é como esse abrir da janela depois do período do luto que conseguimos ver beleza nas coisas. No momento de luto estamos tão acolhidos na dor que nem abrir essa janela queremos, e o dia pode estar muito bonito, mas nossas lentes estão em preto e branco. A luz é também uma analogia a iluminação do tema perda gestacional e neonatal. Tirar o tema da obscuridade e jogar essa luz através de histórias reais, de pessoas de carne e osso que assim como eu e Fabricio, também tem uma história de perda e amor para contar”.

O documentário surgiu da própria experiência do casal, que engravidaram no início de 2014 e perderam Miguel em 6 de novembro do mesmo ano, com 40 semanas de gestação. “A gestação do Miguel foi um aprendizado em diversos aspectos. Desde o início, aprendemos muito. Todo o contato que estabelecemos com a questão do parto humanizado, com a realização plena de viver à espera do querido filho. E, já no final, entramos em contato com a hora mais escura da noite, a perda do nosso filho. Miguel nos deixou sem explicação algumas horas antes de vir ao mundo”, conta Rafaella.

De acordo com a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) 12% dos casos de gravidez conhecidas terminam em abordo espontâneo. Em Minas, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde de Minas Gerais, entre 2014 e 2015, foram realizados 27.964 procedimentos de curetagem pós-abortamento na rede hospital.

Se você quer conhecer mais sobre o tema, assista ao documentário. Vale conhecer o grupo de apoio a perda gestacional de Belo Horizonte o “Por que partiu tão cedo?“, fundado pela doula Bel Cristina, e coordenado também pela psicóloga Renata Dualibi e a médica e psicoterapeuta Ana Lana, para apoiar mães e pais que sofreram perdas por aborto ou de bebês recém nascidos, a iniciativa começou pelo Facebook e hoje realiza encontros mensais.