Por Marina Martins, enfermeira

Foto: Duorama


Olá, queridos leitores do Na Pracinha!

Hoje escrevo sobre algo que vem acontecendo com uma frequência nada desejável: a indicação inadequada de leite artificial, complemento ou leite industrializado (a nomenclatura fica a gosto do cliente…).

Sou consultora em aleitamento materno, trabalho 24 horas com esse tipo de situação e, confesso, não estou nada satisfeita com tanta prescrição indevida de leites artificiais.

Como a cesariana tem suas indicações reais, o leite artificial também, mas as mesmas não estão condizendo com a necessidade da criança. Fico extremamente desapontada, quando me deparo com situações em que alguns médicos pediatras passam por cima das orientações da enfermeira que está assistindo determinada cliente, sem sequer comunicá-la ou trocar informações sobre as indicações, no âmbito do aleitamento materno. Sim, é extremamente antiético tal fato. Ainda mais quando o leite artificial é prescrito sem necessidade real e, claro, as mães, em sua maioria, acabam seguindo. Além da conduta inadequada, frustram a expectativa e a vontade das mães em amamentar exclusivamente com leite materno seus filhos, além de contribuírem para o desmame precoce. Inaceitável.

Assistência adequada é realizada por uma equipe multiprofissional, na qual são trocadas ideias, condutas e informações em prol do cliente e, neste caso, das mães e dos bebês. O objetivo é realizar um trabalho humano e de qualidade, sempre lutando pelo aleitamento materno, mesmo quando as chances são poucas e a maré não está favorável.

Podem continuar agindo assim, porque estamos ao lado das mães e a favor do aleitamento materno, para aquelas que desejarem.

E para esses alguns pediatras: se não têm paciência ou tempo para ajudar uma mãe aflita em relação ao aleitamento materno, sugira à mesma que procure um banco de leite ou um profissional especializado, que possa orientá-la adequadamente. Não prescreva leites artificiais para ficar “livre” das dúvidas, das ligações e mensagens fora do horário de trabalho, enfim…

Mas vejam, falo de alguns pediatras, visto que conheço especialistas que trabalham em equipe, em parceria e em busca do aumento das taxas de aleitamento materno da nossa cidade, do nosso estado, do nosso Brasil.

E não vou me cansar de escrever para vocês, mães, que enchem minha vida de alegria e esperança: confiem em seu leite, em sua capacidade de nutrir seu filho(a) e contem comigo sempre!

Um beijo carinhoso em cada uma de vocês!