Por Maurilo Andreas, escritor

Foto: Patrícia de Sá

A grama molhada do campo de futebol.
Melado com queijo.
Travesseiro de macela.
Uniforme da escola recém-passado.
O carro do meu pai cheirando a gasolina.
A memória da minha infância ganha vida no meu olfato.
Passar na frente da sauna sem poder entrar, o couro do banco no ônibus escolar, o maracujá do fundo do nosso quintal, o asfalto derretido pelo calor.
Cheiros e mais cheiros que dizem uma Ipatinga que não existe mais e que ainda assim me fazem respirar fundo, fechar os olhos e voltar a ser criança.
Quase como se aquele sol tivesse cheiro.
Quase como se o tempo fosse ele mesmo um aroma.