Por Cristiane Andrade, pediatra

Estamos enfrentando mais uma epidemia de Dengue em todo país. O aparecimento da Chikungunya e da Zika vieram aumentar a preocupação de todos em relação ao mosquito Aedes Aegypt. A principal forma de combatermos estas doenças é, sem dúvida, o controle do mosquito. Coletivamente, a higiene da cidade é fator fundamental para a erradicação dos focos de implantação das larvas. Mas, como evitar que o mosquito pique nossas crianças?

Reforce a proteção mecânica

A proteção mecânica é a mais indicada para bebês e crianças com alergia aos repelentes. O uso de roupas compridas e folgadas de cores claras ajuda a evitar o contato do mosquito com a pele. Nos períodos de nascer e pôr do sol, as janelas devem ficar fechadas para reduzir a entrada do mosquito (em locais com grande incidência do mosquito, este hábito é fundamental). O hábito natural do mosquito é atacar mais neste período, o escuro diminui sua atividade. Porém, como o mosquito vive em meio urbano, e nós mantemos nossas casas muito iluminadas à noite, este inseto esperto se adaptou aos nossos hábitos e também se mantém ativo parte da noite. 
O uso do ar condicionado, telas e mosquiteiros também ajuda a manter os mosquitos afastados. No caso do mosquiteiro, é importante verificar se a cama ou berço está realmente coberta pelo mosquiteiro, caso contrário, o mosquito pode entrar e não conseguir sair, passando a noite toda junto com a criança. 

Cuidado com os repelentes elétricos, velas e óleos naturais
Os repelentes elétricos com liberação de inseticida são úteis, diminuem a entrada dos mosquitos quando colocados próximos às janelas e portas. Porém, em se tratando de crianças, repelentes elétricos não devem ser deixados ligados a noite toda, nem em tomadas próximas às camas. Vale tomar muito cuidado com os repelentes elétricos líquidos, que podem ser retirados da tomada pela crianças e ingeridos acidentalmente. Os aparelhos ultrassônicos não possuem eficácia comprovada. 
A vela de citronela também não deve ser usada em ambientes com crianças. Sua eficácia não é comprovada em se tratando do mosquito Aedes Aegypt. Além disso, há alto risco de acidentes domésticos, como queimaduras e incêndios. 
Óleos naturais, por serem altamente voláteis (evaporam rápido), protegem por pouquíssimo tempo, em média 1 hora e podem causar reações alérgicas.

Use adequadamente o repelente tópico
O uso do repelente tópico deve ser criterioso em se tratando de crianças: 
  • Menores de 6 meses de modo geral não devem usar repelentes quimícos. O ideal é que sejam protegidas por metódos mecâncios. Porém, em caso de exposição inevitável ao mosquito, consulte o pediatra. Ele é o profissional mais indicado para avaliar o risco x benefício do uso de repelente químico, analisando a criança e a situação em questão.
  • Crianças entre 6 e 24 meses podem usar repelentes a base de IR3535 30% (período de proteção de 4 horas), como Turma da Mônica e Loção anti-mosquito da Johnson.
  • Crianças acima de 2 anos podem usar produtos a base de DEET (em concentração de até 10% e não sendo aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos) – como o Off e Repelex; ICARADINA /KB3023 (em concentração de 25% cujo período de proteção chega a 8/10 horas) – como Exposis. Sempre há versões infantis/kids. 
Tenha muito cuidado na aplicação:
  • O repelente deve ser aplicado nas roupas e áreas expostas como braços e pernas. Nunca passe o produto no rosto ou mãos da criança. 
  • O uso do Filtro Solar pode comprometer a eficácia do produto. No caso em que seja necessário o uso simultâneo dos dois produtos, primeiro passe o Filtro Solar e depois de 30 minutos aplique o repelente. Filtro Solar já associado com repelente em sua fórmula geralmente não é indicado para crianças. 
  • A apresentação em loção cremosa é mais segura do que spray pelo risco de aspiração pela criança durante a aplicação. 
  • Assim que não for mais necessário, o repelente deve ser retirado do corpo com um banho com água e sabonete. 
  • Não permita que a criança durma com o repelente no corpo. Em caso de extrema necessidade, passe pequena quantidade na roupa. 
Tenha cautela, invista nas precauções mecânicas e, na dúvida, consulte o pediatra de seu filho. 
Vale visitar: 
Mitos e Verdades – Ministério da Saúde
Zika Virus – Sociedade Brasileira de Pediatria