Foto: Patrícia de Sá

Finalmente, chegou o dia da pequena começar a questionar a tal história do coelhinho. Semana passada, no caminho para a natação, ela soltou a pergunta e ficou me olhando, assim, um pouco ansiosa, aguardando a resposta.

– Por que você acha isso, Sarinha?

Respondi com outra pergunta, para ver onde isso ia chegar.

– Ué, acontece que aquelas patinhas não são de coelho de verdade, né, mãe. São de papel, de adesivo ou de farinha.

Ela me pegou. E agora eu precisava encontrar uma resposta.

– Filha, se você acreditar no coelhinho, ele trará um ovo de páscoa para você. Mas, se não acreditar, a mamãe vai comprar um ovo de qualquer forma e te dar, porque quero que fique feliz neste dia. O que você prefere?

– Ah, acho que eu prefiro acreditar no coelhinho, mamãe…

Não sei se agi corretamente, mas foi a resposta que me veio em mente e me parece que, de alguma forma, ela ficou satisfeita. No fundo, acredito que entendeu a farsa do bichinho, mas, ainda assim, preferiu acreditar que ele apareceria carregado de ovinhos.

No caminho para a escolinha, fui pensando sobre o que tinha acabado de acontecer. Mas por que tanta preocupação com a história de um coelhinho, de um ovo de chocolate, se eu devia estar gastando meus neurônios para ensiná-la outras coisas, que realmente fazem alguma diferença nesta época do ano?

Falar sobre o sentido da Páscoa não é nada simples – e a explicação vai variar dependendo da religião de cada família, assim como da idade das crianças. Mas é válido, durante um almoço ou jantar, tocar neste assunto, explicar, com calma – e na linguagem que eles entendem – que a Páscoa existe porque há uma história por trás dela. E que ela existe há muitos e muitos anos. O educador Marcos Meier ainda acrescenta que contar para as crianças a história da Páscoa faz com que elas não fiquem com uma visão horizontal, que gira apenas em torno delas e em torno do que é mais imediato – o ovo, o chocolate, o coelho.

Explicar que a Páscoa é uma tradição, que existe há muito tempo – dá para relacionar esse tempo, inclusive, com os avós, para facilitar o entendimento deles – apresenta uma visão vertical, tirando as crianças do mundo do agora e estimulando o seu pensamento.

Contar que hoje são ovos de chocolate, mas no início, as pessoas coziam os ovos, pintavam e os escondiam pela casa, vivendo, assim, essa tradição.

Seja qual for a religião, vale “gastar” tempo e disposição para deixar claro às crianças que esse dia fala de transformação, de uma nova vida – seja em relação à fuga do Egito, seja em relação à Ressurreição. O ovo traz uma nova vida e é por isso que os trocamos na Páscoa.

Talvez eles não entendam tudo de imediato. Mas iniciar esta conversa é fundamental se quisermos que as crianças não tenham como única preocupação na Páscoa o tamanho e a quantidade dos ovos adquiridos. Se quisermos que elas sejam mais, que sejam grandes meninos e meninas, especialmente por dentro.

“Gastar” tempo com as crianças é sempre um investimento, vocês sabem. Por isso, desejamos que nesta Páscoa, o mais importante seja o estar junto, seja a troca de olhares, brincadeiras e histórias. E que os ovos de chocolate sejam – apenas – uma consequência de tudo isso, como deve ser.

Feliz Páscoa!