Por Lucinda Mendonça, psicóloga


É frequente os pais se queixarem que a criança tem mais respeito pela mãe ou pelo pai, ou que só escuta um deles ou, ainda, apenas o cuidador.

Geralmente, isso acontece pela soma de vários fatores no convívio familiar mas, antes de mais nada, vale lembrar que a criança só aprenderá a respeitar os pais se ela também for respeitada.

É importante, por exemplo, explicar sempre à criança os motivos pelo qual deve-se, ou não, tomar determinada atitude. No entanto, ao invés de se investir tempo explicando, muitas vezes os pais acabam por impor comportamentos ou, ainda, ameaçam com castigos e punições. O cotidiano estressante e cansativo, faz com que os pais optem muitas vezes pela atitude mais fácil e rápida, mas o resultado é sempre negativo em relação à aprendizagem. A consequência é o medo e a irritação.

Outra situação recorrente refere-se à transmissão da responsabilidade para outro cuidador. “Você vai ver quando seu pai chegar” ou “sua mãe irá te colocar de castigo”. Esse tipo de atitude faz com que o principal papel na tarefa de pais e cuidadores – o de educadores – seja perdido. Deve-se banir esse tipo de ameaça. Pai e mãe têm papéis igualitários na educação e criação de seus filhos. Deve haver um alinhamento entre os combinados da família.

A verdade é que uma criança escolhe dar mais atenção àquele cuidador que se mostra mais acolhedor e disponível. Por isso, é importante avaliar alguns aspectos antes de abordar qualquer atitude. Por exemplo:

– Qual o real motivo pelo qual a criança agiu daquela forma?
– A criança pode ou não reagir daquela maneira?
– A atitude está prejudicando ou pode prejudicar alguém?

Após analisar a situação, dê espaço para a criança explicar os motivos de sua atitude. Dê
preferência ao diálogo em tom firme, explicando porque deve-se agir de determinada forma, mas sem ameaças e dando espaço para ela questionar e sugerir novas atitudes.

Dizem que “há maneiras e maneiras de se falar algo”. Quando gritamos com uma criança, ela se sente ameaçada e insegura. Ela não captará o ensinamento. Se você a acolher, explicar olhando em seus olhos, será compreendido e, provavelmente, aquele erro não mais acontecerá. É importante lembrar que cada pessoa é única e a maneira como um dos seus filhos lhe entende pode não funcionar com o outro. Por isso, pais e mães devem ser muito perspicazes para perceberem a personalidade e reações dos de cada um.

Educar não é tarefa fácil mas, quando feita em conjunto e com muito respeito, torna-se leve e
prazerosa. Então, converse em família e alinhe os pensamentos para que o principal objetivo seja o bem-estar da criança.