por Lucinda Mendonça, psicóloga

Não importa quantos filhos você tenha. Não importa a idade deles. Mães sempre encontram motivos para se sentirem culpadas.

Com a experiência, o amadurecimento, esse sentimento tende a diminuir, passando-se à aceitação. As mães são imperfeitas, incompletas e, por isso, muitas vezes mostram-se impotentes frente ao sofrimento e às demandas das crianças.

O nascimento de um filho, seja o primeiro ou o quinto, costuma ser um período envolvendo uma grande miscelânea de sentimentos. Isso acontece porque, em geral, aquele bebê idealizado é bem diferente do bebê real. E, além disso, cria-se milhões de expectativas relacionadas à amamentação, sono e rotina do bebê. Na maioria das vezes, muito pouco do que foi imaginado é, de fato, realizado. E aí aparece a frustração e, consequentemente, um sentimento de culpa e cansaço sem fim.

Não tem como orientar as mães a não criarem expectativas. Isso faz parte do amadurecimento humano. Mas o ideal é que, aquelas pessoas mais próximas de uma mãe que esteja sofrendo com essas culpas, a acolham com muito carinho e cuidado. O sofrimento das mães, em geral, é real e pesado e elas podem, inclusive, passar a duvidar da própria capacidade de criar e educar aquela criança.

A melhor maneira de ajudar é mostrando como é normal sentir tudo isso. É importante ressaltar que a criança se desenvolve feliz e segura ao lado delas e que cada família tem a sua maneira de criar.

Não adianta comparar com a irmã, vizinha ou amiga, pois cada família tem suas próprias características. Trocar ideias e experiências é muito válido, mas é preciso enxergar suas possibilidades e limitações, assim como as de seus filhos. A partir do momento em que há esse reconhecimento e aceitação, tudo passa a fluir com mais tranquilidade e menos sofrimento.

Reforçando que, no mundo da criação de filhos, não há receita de bolo, pois estamos lidando com seres humanos repletos de vontades, imperfeições e possibilidades.

Não importa em que fase sua família esteja. Muitas vezes, haverá situações que os colocarão em xeque, que lhes frustrarão e trarão sentimento de culpa. O importante, nessas horas, é ter paciência, corrigindo as imperfeições e se adaptando àquilo que não tem como mudar.

Então, siga em frente sem medo de errar. E, se achar que não está funcionando, não tenha medo, nem vergonha, faça diferente. Se achar que está certo, mantenha a sua postura, sem culpa de ser feliz.