O que você tem colocado na lancheira das crianças? A pergunta, vira e mexe, está nas rodinhas de conversas maternas. Biscoitos, suco de caixinha, pão de queijo – algumas vezes, sai um bolo ou uma fruta. Alguém se identifica?

Recentemente participamos do Workshop Merenda Escolar “As delícias do Dudu”  a convite da Alice Carvalhais, nutricionista mineira (Alice no país das comidinhas), com a chef Thaís Ventura (As delícias do Dudu) e a nutricionista Karine Durães. O que aprendemos por lá, foram dicas importantes para oferecermos às crianças uma refeição nutritiva e, além de tudo (e porque não dizer, principalmente), transmitir doses generosas de carinho. Afinal, quem não gosta de perceber que aquele lanchinho foi preparado especialmente para ele? Não estamos falando de um grupo natureba, mas de mães que resolveram dedicar um tempo, dentro desta rotina corrida escola-casa-família-trabalho, para avaliar o que seus filhos estão ingerindo, e refletir sobre como o lancheira contribui com a saúde dos pequenos.

Como muitos não puderam participar – e as vagas logo se esgotaram – achamos que vocês se interessariam por alguns pulos do gato para facilitar a vida da mamãe que se preocupa com a alimentação dos filhos, mas não tem como passar muito tempo preparando. Acompanhe e delicie-se:

:: Antes de mais nada: lanche não é só comida. Tem a ver com saúde, felicidade, desempenho escolar e cognitivo. E com criança, não dá para esperar. É nessa idade que ela forma seus hábitos, inclusive os alimentares.

:: Nem sempre o lanche precisa ser salgado + fruta + suco + docinho (que deve ser evitado sempre). Cada criança é uma. Dependendo da quantidade de calorias que ela ingere no restante do dia, pode ser que o lanche seja composto apenas por uma fruta, e não está errado. Outro exemplo: se a criança toma suco no almoço e no jantar, ela pode não precisar beber um suco também no lanche. Veja, para uma criança com menos de 3 anos, 180ml de suco por dia é suficiente – e isso é pouco! Se a criança preferir, você pode enviar água no lugar do suco. Não, você não estará sendo cruel com seu filho, fique tranquila. A ideia é equilibrar as calorias ao longo das refeições de todo o dia.

:: Não sabe quanto de comida colocar na lancheira? Lembre-se do quanto ele comeria se estivesse em casa naquele mesmo horário. Já é um caminho para não sobrar nem faltar.

:: Congele. Congele. Congele. Não precisa fazer aquele lanche esperto todos os dias. Mas resolveu fazer um bolinho? Encha logo o tabuleiro e congele – a duração é de três meses. Envie uma vez por semana e já estará garantido um lanche gostoso e saudável.
:: Muitas vezes, apenas cortar o pão no formato de coração ou bichinho, já é suficiente para incentivar o filhote a apreciar um sanduíche natural.:: Dá pra enviar tomatinho no lanche – sim, aquele “uva”, ou sweet grape, que as crianças amam. Se for espetado no palitinho, vira uma festa e os coleguinhas acabam se interessando também. O milho também é uma ótima opção, basta deixar um pouco da própria água do cozimento na vasilha. Por falar em espetinho, uva e morango também fazem sucesso.:: E a maçã também pode ir no lanche. Mas ela não fica escura quando cortada? A-há! Existe um segredinho para que ela não escureça. Tá bom, a gente conta: faca de cerâmica. Ou cortá-la no cortador próprio e mantê-la com as partes unidas por uma gotinha.

:: Dá para mandar limonada no lanche. Limonada? Não fica amarga? Outro segredinho: basta colocar 3 dedos de leite para cada litro de limonada que ela não amarga.

:: Por falar em sucos, as melhores frutas em termos de duração são: manga, maracujá, morango, melão, melancia. E dá para congelar! Faça o suco no dia anterior e congele na garrafinha plástica, ou em forminhas de gelo. Retire algumas horas antes da escola (para os cubinhos, acrescente água) e oriente a criança a agitá-lo.

:: Mas lembre-se: você também pode mandar água!

:: Vai mandar industrializados? Leia os rótulos. Sempre. Muitas vezes, não vamos encontrar todos os ingredientes ideais. Dificilmente isso vai acontecer. Mas o mais importante é saber que, dentre as opções disponíveis, temos condições de escolher a melhor. Avalie os rótulos com aquela malícia de quem sabe que pode estar sendo enganado. Fique de olho: gordura vegetal hidrogenada, por exemplo, é a mesma coisa que a famigerada gordura trans. E se a embalagem diz que o produto tem 0% de gordura trans, confira de novo no rótulo. Se for 0,2%, o fabricante pode colocar que é 0%. Olha o golpe! Vai mandar suco de caixinha? Procure aqueles que têm na embalagem a palavra “suco” e não “néctar”.

:: Se houver açúcar entre os primeiros nomes dos ingredientes, não é lanche, é sobremesa. E o açúcar sabe se fantasiar. Ele também é chamado de: dextrose, xarope de milho, maltodextrina…

:: Se a embalagem do produto indica que é integral, com lindas letras em destaque, desconfie e corra para a lista dos ingredientes. Se o primeiro deles for “farinha de trigo enriquecida com ácido fólico”, pode saber: não é integral. Estão querendo te enganar…

E, por fim, destacamos a história compartilhada por uma mãe: uma menina que levava diariamente os mais apetitosos e nada saudáveis lanches para a escola, depois de muito observar a lancheira da colega, que sempre continha itens feito em casa, acabou por soltar: “sua mãe deve gostar muito de você, porque ela prepara o seu lanche todos os dias” (mata as mães de culpa, hein?). Mas vale como reflexão. Possivelmente, não conseguiremos aquele lanche nutritivo, saudável e natural diariamente para os pequenos. Mas sempre podemos buscar melhorar.

Ah, ficou curioso quanto às Delícias do Dudu? Que tal começar com um muffin de banana e cacau ou um biscoito de queijo e chia (receitas aqui e aqui)?