Foto: Patrícia de Sá

O post anterior sobre a “geração do imediatismo” {leia aqui}, gerou pedidos para que abordássemos sobre como lidar com a impaciência e ansiedade da criança.

Quando a criança nasce, desconhece absolutamente tudo que a rodeia. Ela precisa de alguém para ensiná-la o que são as coisas, para nomear os seus sentimentos e esclarecer tudo que está em sua volta. À medida que ela cresce, a necessidade de conhecer tudo e todos também aumenta e a forma para se fazer essas descobertas também se modifica, pois não precisa mais que um terceiro faça por ela, afinal, já é capaz de experimentar e conhecer sozinha.

Nesse período, é preciso muito cuidado para que, ao invés de fazer com que essas experiências sejam agradáveis e construtivas, se transformem em algo estressante e punitivo. Fazendo com que a criança se trave com medo da reação de seus cuidadores, paralisando seu período de descobertas, tornando-se uma pessoa ansiosa, insegura e medrosa, que passará a agir somente como os outros querem que ela haja e, com isso, deixará de explorar e conhecer muitas coisas que também são boas e importantes para seu crescimento bio-psico-social.

Muitas crianças se tornam agressivas devido à ansiedade. Querem fazer algo, mas têm medo de executar. Se para um adulto já é difícil lidar com a ansiedade, imagina para uma criança! Então, a maneira que a maioria delas externa esse sentimento é gritando, batendo, chorando ou mordendo. Outras manifestam com alterações no sono, apetite, humor, comportamental como roer unha, se masturbar, coçar até machucar, arrancar os cabelos, balançar as pernas sem parar, entre tantos outros comportamentos.

É importante termos em mente que a maneira como agimos com a criança influenciará sua vida como um todo. Isso não quer dizer que temos que deixá-la fazer tudo o que quer na hora que deseja. Temos que nos policiar para ensinarmos de uma maneira mais leve, com muito diálogo, menos ameaças e punições, sejam elas emocionais e corporais.

O diálogo, o respeito, o amor e a paciência são as grandes ferramentas na criação de qualquer criança.

Uma criança criada em um ambiente com acolhimento, não terá medo de viver novas experiências, e terá muito mais consciência para fazer suas escolhas. Escolherá algo porque realmente é importante para ela e não porque agradará alguém. Será menos ansiosa e mais paciente. Será mais segura e alegre.

Mas isso não quer dizer que não haverá dias difíceis com birras, pirraças e impaciência. Porém, quando nós, pais e cuidadores, conseguimos manter a calma e perceber o que realmente está por trás dessas manifestações, elas costumam durar menos tempo e serem resolvidas de forma amigável. À medida que conhecemos a criança, somos capazes de perceber o que realmente é o causador de suas irritabilidades como, por exemplo, sono, fome, ausência dos pais, medo do desconhecido etc. Não podemos excluir totalmente de sua rotina tudo o que a desagrada, pois faz parte da vida lidar com frustrações.

É importante mostrar a ela que suas opiniões também têm valor, que há coisas que podem ser negociadas, outras não, mas que tudo pode e deve ser resolvido com muito respeito e diálogo. Enfim, respeitar as necessidades biológicas e emocionais da criança evita transtornos para toda a família. E faz com que todos se sintam seguros, felizes, tranquilos e confiantes.