Uma “casa-museu”, com um telhado que tem a forma de asa de borboleta e planos inclinados,  projetada por Oscar Niemeyer . Jardins assinados por Burle Marx e um amplo quintal, localizada às margens da Lagoa da Pampulha – tem cenário mais convidativo para um passeio em família?

A casa de fim de semana de Juscelino Kubitschek, quando ainda era prefeito de Belo Horizonte, foi restaurada e transformada em um museu. A exposição permanente Casa Kubitschek: uma invenção modernista do morar, faz referência histórica ao ambiente político e cultural em que o pensamento modernista se consolida em Minas Gerais e se manifesta na arquitetura, no urbanismo, no paisagismo e nas artes. Artistas como Volpi (em um painel lindo de azulejos na varanda), Lúcio Costa Paulo Werneck também são referenciados.  Móveis, adornos, objetos, espaços, fotografias da época foram preservados e durante o passeio vivenciamos como era o habitar entre os anos 40 a 60.  Além de JK, a família Guerra também foi proprietária do espaço (vale conferir esse texto em que a escritora Cris Guerra conta um pouco sobre a memória afetiva da casa).

No passeio iremos conhecer a sala de jogos, com uma mesa de bilhar, não de sinuca, que usa apenas 3 bolas e sem caçapa. Uma casa grande, incomum para os tempos de hoje, com lareira, sala de estar, sala de jantar, sala de TV, quarto de hóspedes, piscina, varanda, casa anexa, mezanino (com capas de discos pertencentes à família Guerra), tijolos de vidros no corredor, muitas sacadas.

Segundo a Fundação Municipal de Cultura, o pátio interno da Casa Kubitschek configura como uma homenagem à cidade natal de JK, Diamantina, com suas cores azuis e brancas, as portas e janelas de treliças, onde se observamos a casa desses ângulos, encontramos uma casa com sua arquitetura colonial.
As curvas e o jardins do fundo da Casa contam com espécies características da flora da região de Diamantina, como as famosas sempre vivas, típicas da região e as cangas de mineiro, que compõem os jardins, parte do relevo das cidades produtoras de minério de ferro. Outro ponto que chama a atenção na casa são os cincos pés de jabuticaba, fruta preferida do Juscelino. Nos períodos de chuva ainda é possível ver os pés carregados <3

Passear pela casa acompanhado por crianças é uma experiência muito interessante, pois os olhares curiosos instigam perguntas divertidas sobre costumes de antigamente. Durante nosso passeio, em uma agradável tarde de inverno, Cecília ficou intrigada com a presença de banheira em todos os banheiros, com as características dos móveis e objetos. Ela anda bem encantada com as histórias das coisas, e durante o passeio, sua imaginação foi a condutora, pois me contava sobre possíveis situações que poderiam ter acontecido naquele espaço. Ela adorou as varandas e o mezanino, queria trazer os tijolos de vidro para a nossa casa.

 



A “casa-museu”também recebe a exposição “Pampulha: território da modernidade”, que retrata historicamente as várias Pampulhas, a evolução da região com a “Era Kubitschek”, de um ambiente rural para o urbano. A gente vê registros de uma Pampulha com bonde, cassino (o atual MAP), e ruas hoje tão urbanizadas que antes não passavam de um acesso.

Recentemente, a Casa Kubitschek inaugurou o Espaço Multiuso e a Reserva Técnica. Além disso, a área externa dos jardins e espelho d’água da antiga piscina, com o projeto de Roberto Burle Marx revitalizado. Você sabia que é possível fazer um piquenique nesse espaço cultural super legal? Sim! E é claro, a gente amou a ideia <3

 

Importante: 
. Não é permitido estacionar na Orla da Pampulha. O visitante deve parar na área de estacionamento da Av. Fleming (Praça Nova da Pampulha) e ir caminhando. É um passeio agradável.
. É possível realizar piqueniques e ensaios nos jardins, para isto, basta agendar em ck.fmc@pbh.gov.br.

Orientações para visitação:
“Você está entrando em uma casa especial, uma Casa Museu. Tudo que você vai ver aqui dentro é parte do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte, de Minas Gerais e do Brasil. Pela natureza delicada dos móveis e jardins, solicita-se que todos tenham atenção às regras de visitação: 
. não tocar nos móveis e objetos
. não assentar nos móveis
. não utilizar as torneiras e pias
. não se debruçar ou colocar objetos sobre as bancadas
. não entrar com alimentos e bebidas no espaço interno da casa
. a beleza e alegria dos jardins dependem do respeito de todos – é proibido colher flores e jogar lixo fora dos locais apropriados
. há muitos vidros e objetos delicados em exposição, além de dois espelhos d’água nos jardins do Museu, por isso é muito importante que as crianças permaneçam sempre acompanhadas por um adulto que possa orientá-las. Não é permitido correr nos espaços internos e externos”

 

Fotos: Julia Baêta, Tanto Mar Fotografias, Patrícia de Sá

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1ª publicação: jun/16
atualizado em abr/17