por Lucinda Mendonça, psicóloga

Um dos sofrimentos mais comuns entre as crianças em idade escolar é quando elas se sentem rejeitadas pelos seus colegas de sala. E não é preciso ser um caso de isolamento total da criança, para que esse sentimento apareça. Basta seu melhor amigo não querer brincar da mesma brincadeira por cinco minutos, que o sentimento de rejeição pode aparecer.

Quando há uma rejeição causada por todos da sala, normalmente é devido a alguma característica da criança, seja uma deformidade, timidez extrema ou agressividade. Então, é necessário que a escola, juntamente com os responsáveis, trabalhem a importância de lidar com as diferenças, sempre com muito respeito.

Mas há outro tipo de sentimento de rejeição, muito frequente (quase que diário) – ele surge quando um coleguinha não quer brincar com outro naquele momento. Há crianças que lidam muito bem com isso e logo vão procurar outro colega para brincar, ou brincam sozinhas mesmo. Mas há crianças que não conseguem lidar com esse “abandono” e ficam extremamente tristes e chateadas.

Isso pode ocorrer tanto com crianças muito dominadoras, que querem todos ao seu redor fazendo o que ela quer, ou com as extremamente passivas, que fazem o que o outro quer para agradá-lo e tê-lo ao seu lado. Em cada um desses casos, deve ser trabalhado tanto o sentimento de tristeza, abandono e raiva que a criança traz, quanto a causa desse sentimento. Mostrando para a criança que as outras também têm vontade própria e que podem brincar com quem e com o que quiserem. E que ela não precisa fazer tudo o que o outro quer para agradá-lo. Que ela pode e deve sugerir outras brincadeiras e brincar com todos os colegas.

É importante a criança entender que haverá momentos em que ela será querida e bem-vinda por todos os colegas, mas haverá outros em que só alguns vão querê-la por perto, assim como também haverá momentos em que ela terá que brincar sozinha. É importante ensinar à criança que ficar sozinha também é bom e importante para o seu desenvolvimento emocional.

A pessoa que se sente bem estando consigo mesma é mais segura, independente e feliz. Pois reconhece seus defeitos e qualidades, suas falhas e suas virtudes, suas dificuldades, suas habilidades e seus sentimentos frente às mais variadas situações que a vida lhe apresenta. E com isso se torna uma pessoa mais empática e respeitosa com o próximo.

Então, ao invés de ignorar, menosprezar ou supervalorizar o sentimento de rejeição que seu filho pode estar sentindo, converse muito, escute a dor,  seja dita com palavras ou gestos. E procure ensiná-lo a se amar mais e a entender que, muitas vezes na vida, ele terá que lidar com esse tipo de situação.