por Lucinda Mendonça, psicóloga

Patrícia de Sá

Um sentimento muito comum entre os pais e, mais ainda entre as mães, é a impotência em suprir todas as demandas de seus filhos. Independente da idade da criança, sempre haverá algo que a fará sofrer e não é possível eliminar isso de sua vida. Esse sentimento costuma aparecer muito cedo, quando a criança ainda é bebê, e a mãe, ou pai,  se sente mal por não conseguir acalmá-lo, por exemplo. Quando a criança cresce, o cuidador sofre por ser impossível evitar as mais diversas frustrações.

Esse sentimento de impotência, normalmente vem acompanhado de culpa e traz um enorme sofrimento para os pais. Eles começam a se sentirem os piores pais do mundo, incapazes de criar seus filhos e, na maioria das vezes, impedem que a criança viva essas dores e frustrações, não deixando que elas aprendam a lidar com tudo isso. Ninguém gosta de ver os filhos sofrerem, mas eles precisam passar pelos desafios,  para se tornarem seres humanos seguros e capazes de lidar com situações adversas.

Muitas vezes essa necessidade que os pais apresentam em eliminar ou diminuir o sofrimento dos filhos é um reflexo da sua própria dificuldade em lidar com frustrações. E aí tentam sufocar esses sentimentos com compensações, sejam presentes ou outras distrações, que podem levar a consequências graves como a compulsão por comida, por compras etc.

Não devemos causar nenhum tipo de sofrimento para que a criança aprenda a lidar com isso. Mas
quando acontecer algo que lhe machuque, que lhe deixe triste, devemos acolher seus sentimentos e
ajudá-la a lidar com eles da forma mais natural possível. Procurando ensinar que tudo isso que ela
está passando é ruim, sim, mas que não é para sempre. E que em tudo que acontece na vida podemos
tirar algo de bom: um ensinamento para não cometer os mesmos erros, a possibilidade de
conhecer novos amigos, ou aprender que isso é ruim e não fazer com ninguém.

Então, ao invés de se sentir culpado e impotente, e tentar evitar ou tamponar as frustrações e decepções de seus filhos, seja companheiro e dê exemplos. Ajude-os a entender o que está acontecendo para futuramente saberem lidar não só com suas próprias frustrações, mas também com as das outras pessoas ao seu redor. E não tenha vergonha de demonstrar os seus sentimentos, suas falhas e seus medos. A maneira como agimos é a maior forma de ensinamento para nossos filhos.

Portanto, acolha o sofrimento com afetuosidade, sem menosprezá-lo ou supervalorizá-lo. E tire de você a responsabilidade de que seus filhos têm que ser 100% do tempo felizes e perfeitos!