Foto: Patrícia de Sá
Ano passado, a Sarinha ganhou sua primeira corda. Ela estava com quatro anos. Achou legal, mas não sabia pular e, desestimulada, deixou o brinquedo meio de lado por um tempo.

Eu queria muito que ela se interessasse pela brincadeira, porque sabia o quanto seria benéfico. Afinal, a atividade estimula a agilidade, a cooperação, a memória, a socialização e desenvolve o condicionamento físico. Além de ser muito divertido.

Mas eu não ia convencê-la simplesmente assim, né. Ela até tentou pular no começo, mas como não passava dos primeiros pulos, logo desanimava. Foi então que comecei a levar a corda a tira colo em nossos passeios sempre que era possível. Costumava amarrar uma das pontas num galho, numa cadeira e bater. Ela ficou uns bons dias dando apenas um ou dois pulinhos, e logo tropeçava. “Tudo bem, é assim mesmo.” “Vamos lá, de novo”. “Quanto mais a gente treina, melhor a gente fica, filha”.

E assim, tentava estimulá-la dentro do possível. Começamos a brincar também em casa (obrigada, queridos vizinhos do andar de baixo, por nunca terem reclamado do barulho <3). Era uma atividade diária, eu batia pacientemente. Quando ela conseguiu dar três pulos na sequência, fizemos uma festa danada. E depois quatro, depois cinco… Todo avanço era comemorado.

Foto: Junia Chaves
  

No meio da brincadeira, muitas vezes a gente precisava interromper, quando o irmãozinho, de 1 aninho, se aproximava. Ele também queria pular. Aí a gente deixava ele brincar um pouquinho com a corda e depois voltávamos a treinar.

Confesso que cheguei a bater a corda muitas vezes com o pequeno no colo (quase uma malhação materna) e, assim, a Sarinha foi se encantando cada vez mais com essa história.

Foi então que ela percebeu que seria muito legal se tentasse bater a corda sozinha também. No começo, não conseguia ficar parada no lugar. Começava a pular num ponto e terminava alguns metros adiante.

Hoje, pula em todo lugar – na rua, na pracinha, nos parques, em casa.

“Cadê minha corda, mãe?” Escuto com frequência de manhã.

Nos últimos Encontros Na pracinha, temos percebido cada vez mais famílias com suas cordas também, e a gente incentiva muito que as levem! É assim que deve ser: brincando junto. Pai batendo corda para o filho, filho feliz com a presença dos pais. E assim, de pulo em pulo, eles vão crescendo. E logo, logo, chegam às alturas :)

E então, tem uma corda parada por aí?

Que tal começar essa brincadeira divertida com o filhote? Pode ser na pracinha, no parque, onde quiser. O legal é se movimentar e dividir a brincadeira em família :)
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Algumas cantigas tradicionais podem estimular ainda mais a brincadeira:

O Homem
O homem bateu em minha porta e eu abri

Senhoras e senhores, ponham a mão no chão (o jogador pula e rapidamente abaixa e toca o chão)
Senhora e senhores, pulem num pé só (o jogador pula com um só pé)
Senhoras e senhores, deem uma rodadinha (o jogador pula e roda)
E vá pro olho da rua! (o jogador sai debaixo da corda)

Suco Quente
Suco quente
Cabelo diferente
Qual é a letra do seu presidente
A,B,C….

Suco gelado
Suco gelado
Cabelo arrepiado
Qual é a letra do seu namorado
A,B,C…

Salada, saladinha
Salada, saladinha
Bem temperadinha
Com sal, pimenta
Fogo, foguinho.