Foto: Patrícia de Sá

 

Sempre que nossos filhos começam a agir de maneira diferente do usual procuramos uma razão para tal mudança. Algumas vezes, facilmente identificamos a causa – em outras, temos mais dificuldades, não conseguimos identificar sem a ajuda de um profissional, e também pode acontecer de nos equivocarmos nessa identificação.
Quanto maior a criança, maior a complexidade de seu aparelho psíquico e maior a capacidade de se defender de algo que lhe incomoda. Consequentemente, se torna muito mais difícil para nós, pais, identificarmos a verdadeira causa de um sintoma, seja ele uma mudança de atitude, relacionado ao sono, ao apetite, ao comportamento, ou de um medo exacerbado de algo “bobo”, de um choro sofrido e aparentemente sem causa, de uma demanda maior pela presença dos pais etc.
E é exatamente com as crianças a partir dos 4 anos que venho percebendo uma angústia dos pais, educadores e profissionais de saúde de tentarem descobrir a causa de tudo imediatamente. Sem terem a cautela necessária de observar o comportamento por um tempo, conversar com a criança e refletir sobre o que realmente está afligindo aquele ser em sofrimento.
E aí, ao invés de ajudar a criança a resolver aquela questão que tanto aflige, acabam tamponando ainda mais o verdadeiro sofrimento. E lhe dão uma falsa sensação de alívio que durará um período curto e, quando ela percebe que o que lhe angustia não foi trabalhado, e muito menos solucionado, voltará a apresentar sintomas mais graves e mais difíceis de serem desvendados.
Quando estamos doentes, os médicos fazem de tudo para aliviar os sintomas da doença, mas sempre de olho na causa e tentam extingui-la. Assim também devemos fazer com nossos filhos: temos que ajudá-los,
aliviando seus sintomas, mas sempre procurando entender a verdadeira causa. Para isso, devemos ter muita paciência e nenhuma pressa em desvendar o que realmente lhes incomoda. Cada ser é um e
muitos têm uma dificuldade grande em expor o que realmente está lhe incomodando e afligindo. Ou por não conseguirem identificar o que está acontecendo, ou por medo de serem punidos ou debochados.
Acolha seu filho com todos os sintomas e sofrimento, demonstrando amor, paciência, aconchego, segurança, companheirismo. E dê um tempo para que vocês dois, juntos, consigam reconhecer o que realmente está
acontecendo. Não tenha pressa, não rotule, não menospreze nenhuma informação nem sentimentos, mas também não supervalorize. E quando perceberem a real causa de todo o sofrimento, ajude-o a achar a
melhor solução. E tenha em mente que nem sempre a primeira “causa” que surge é o que realmente gera todo aquele incômodo. Essa primeira “causa” pode ser apenas mais um sintoma. Todo sintoma é um pedido de ajuda, por isso não ignore. Ajude! E se não conseguir sozinho, procure quem possa lhe auxiliar.