Por Luana Carola, professora de Psicologia da Educação

Nos tempos atuais, nossas crianças têm sido cada vez mais convocadas para uma infância cheia de compromissos e afazeres. Curso de idiomas, algum esporte, escola em tempo integral, dentre outras atividades. Mas em meio a essa chuva de atividades, não podemos esquecer, de jeito nenhum, da atividade do Brincar. Aquele brincar descompromissado com o tempo, que permite o aprender por meio das relações e interações sociais leves, faz florescer novas possibilidades de infância. A brincadeira proporciona à criança e àqueles que brincam com ela, momentos de aprendizagem, diversão mútua e reinvenção de diversas situações que podem dar novo colorido à infância.

Brincar de bola, pique esconde, jogo de cartas, tabuleiro, nadar, viajar, aprender a fazer horta, enfim, atividades que propiciem espaços para que a criançada esteja em contato com a natureza e aprendam com ela, não podem faltar nunca na agenda, pois como já diria o poeta Manoel de Barros: “Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças”. Que poesia você tem reparado nas crianças com quem convive? Que brincadeiras tem criado e participado com elas? São perguntinhas básicas que nos convidam a reinventar a roda do brincar e estar mais próximos das crianças cotidianamente. Pois, juntos, aprendemos, brincamos e ensinamos em constante cooperação.Neste sentido, o brincar deve ser a atividade primordial na vida da criança, assim como ocupar as praças, parques, museus, atividades que possibilitem a galerinha a se perceber em novos espaços, criando vínculos de leveza e observação com eles. E o brincar não deve fazer parte somente da agenda das crianças – ele também deve ser incluído na nossa: adultos, pais, família, tios, tias…

Levar nossas crianças para brincarem na praça, nos jardins e nos espaços livres da cidade, é muito importante para o acesso a uma infância mais livre e feliz. E não precisa de muitas brincadeiras complicadas: com o simples, os pequenos (e nós) já se divertem muito … Contar histórias, acampar, andar de bicicleta, tomar banho de cachoeira, são atividades que não têm hora e nem idade, pois “Ah, como é bom a gente ter infância” – Manoel de Barros.

Corra já para uma pracinha e vá brincar!