por Flávia Pellegrini, idealizadora do Na pracinha e mãe de duas
Patrícia de Sá
Patrícia de Sá

Quando nos descobrimos mãe, a chegada do bebê é cercada de expectativas, passando desde a curiosidade para saber o sexo, detalhes das feições ou do comportamento da criança. A chegada do bebê se torna o nosso assunto favorito. A lista de enxoval é estudada item por item. Os anseios são discutidos entre conhecidas e familiares, e também nos grupos das redes sociais: amigas reais e virtuais formam uma rede de apoio para esse momento tão especial. Depois do nascimento, as expectativas não param, e por muitas vezes ficamos bastante apreensivas quanto a fazer sempre as escolhas mais corretas, ou ainda,  para saber se tudo vai indo bem com o desenvolvimento dos nossos filhos. Como pais de primeira viagem, nos imbuímos de muita teoria para ter segurança na prática, nos apegamos a manuais e às vezes nos esquecemos da simplicidade da descoberta, da leveza da experimentação, da importância da liberdade. E, não incomum, nos sentimos na verdade mais e mais perdidos.

Me peguei pensando sobre isto em uma tarde, após a Olívia me surpreender com seus primeiros passos, aos 11 meses. Até então, suspeitava que quando um pai dizia que seu filho havia andado antes dos 12 meses, estava em busca de um troféu joinha. Afinal, a grande maioria das crianças que eu conheço andam por volta dos 14 meses, assim como a minha primeira filha.

Fato é que na minha primeira experiência materna, eu fui uma mãe que cercava Cecília de tantos cuidados, que, às vezes, atropelava as suas descobertas. Ou talvez a minha ansiedade não me permitia enxergar as coisas com a tranquilidade que elas precisavam. Já Olívia tem me surpreendido em seu desenvolvimento, pois vive uma primeira infância livre, leve a solta, por assim dizer, e se espelha e muito em sua irmã, sempre a espreitando e copiando todas as ações.

Temos encarado com mais leveza tudo lá em casa, ou ao menos tentado. A deixamos em seu tempo e espaço para que explore suas potencialidades, e, assim, ela foi para o chão bem cedo, deitou na grama, sentou, andou, e agora já corre e dá seus primeiros saltinhos… Descobri que uma rotina não precisa seguir o rigor militar – até porque outra criança em casa não permite muito isto – e sim que ela tenha seu ritual de soneca, alimentação, mas sem neuras. Demos boas-vindas à prática, um tchauzinho para a pressão do perfeitinho e, acreditem, foi libertador.

Outro dia, eu li que ter um segundo filho pode ser transformador. No meu caso, foi exatamente assim. Deixei várias práticas de lado para aprender tantas coisas novas. Nos preparativos para a sua chegada, abandonei os manuais e abracei um estilo mais natural e instintivo. Aprendi que apego não é representatividade de dependência, mas de respeito. Aprendi que cama compartilhada é uma possibilidade e que estar conosco não vai deixá-la manhosa, e sim segura. Tenho seguido a disciplina positiva e a escuta afetiva para guiar os passos familiares, principalmente, nos dias de maior tumulto, quando a ciumeira da mais velha está em seu grau máximo, e assim conseguido acolher às minhas duas filhas em suas necessidades.

Foi na segunda viagem que aprendi a amamentar, e assim sigo há dois anos (assunto para outro post). A introdução alimentar também deixou de ser um período de ansiedade ou regras, e até permiti que ela usasse suas mãozinhas para descobrir todo um novo mundo. Exploramos todos os sentidos sensoriais sem frescuras, não há receio em se sujar, de comer, de experimentar.

Aprendi que posso errar. Que ter um segundo filho não é tão difícil quanto aparenta, pois não é trabalho dobrado, é o mesmo trabalho. Aprendi que o primeiro e o segundo não são diferentes, são únicos.

Hoje sou uma mãe mais segura do que há seis anos, aprendo mais a cada dia e já percebi que não é possível almejar um ideal de perfeição. Vai ter culpa, vai ter choro, vai ter insegurança sim, mas vai ter também muito amor. E uma leveza que me permite viver enfim a maternidade em sua plenitude.

E por aí, como tem sido a experiência do segundinho?