Eu não me lembro de muitos detalhes, dos exercícios ou atividades. Mas me recordo bem que, quando criança, aprendi a ler de forma natural e prazerosa.

Alguém lembra?

Lembro também do livrinho adotado, o Barquinho Amarelo. E da “formatura” do Pré, na qual me vesti de Rosinha e saí de um livro grandão, recitando a fala da personagem: “Olá, eu sou a Rosinha, a menina da galinha dos ovos azuis”. Engraçado como essa fase fica guardada na memória da gente.

Minha filha mais velha está passando por esse processo atualmente. Mas hoje, a visão sobre a alfabetização parece ser bem diferente daquela época. Costuma-se dizer, inclusive, que a criança começa a ser alfabetizada desde quando nasce. Afinal, ela vai, aos poucos, decodificando cada elemento a que tem contato.

Fato é que o processo pode ser tranquilo, mas também pode trazer ansiedades, especialmente para os pais (na verdade, na maioria das vezes, eles que são os ansiosos mesmo).

Por aqui, passamos por isso. Sara é uma das mais novas na turma e eu percebia o avanço dos coleguinhas, enquanto ela buscava alcançá-los. A professora o tempo inteiro me tranquilizava, pois ela estava serena e tudo corria bem. Mas a gente fica com aquela cisma de mãe, né.

No entanto, ao mesmo tempo, eu sabia que o momento não era de correr para aprender – e sim de correr lá fora, de correr para brincar.

Neste período de preocupação, conversei com uma psicopedagoga, que afirmou sobre a importância de se incentivar qualquer pequeno avanço, para que a criança acredite que ela é capaz. Nada de frases como “ah, não acredito que você não sabe fazer isso!” Ou “Mas esse é tão fácil…” Ou ainda: “Todos os seus coleguinhas conseguem, só você que não está fazendo direito”. Ao contrário, a ideia é dar os parabéns para os pequenos detalhes. Se hoje ela percebeu que L+A faz o som de “LA”, ótimo, que bom! Vamos contar para o papai o que descobrimos? E por aí vai.

Então, fomos nos adequando e tenho percebido um progresso tranquilo, dentro do esperado, para o seu desenvolvimento. Sem nunca deixar a brincadeira de lado, que deve ser prioridade nesta fase de vida dos pequenos, né?

E já que o que vale é o brincar, descobrimos algumas atividades que podem ser divertidas, promover o tempo junto com os pais, além de despertar o interesse pelas letrinhas. Porque, no final das contas, é tudo realmente uma questão de interesse.Trazemos neste post algumas ideias que podem ser reproduzidas em casa com os filhotes, transformando-se em divertidos jogos para toda a família. Inspire-se!

Caça Palavras reciclado
Hora de juntar aquelas tampinhas de garrafas pet para montar o jogo! Cada tampinha é uma sílaba. E para marcar as palavras encontradas, usa-se gotinhas elásticas.

 

Letras móveis
Caixas de ovos são ótimos suportes para montar palavrinhas, pois as tampinhas de garrafa pet cabem direitinho dentro de cada cavidade. Então, a ideia é cortar em tiras a caixinha, de acordo com a quantidade de letras de cada palavra do jogo. Para dar aquele toque final, vale pintar as tiras de cores variadas.

Letras – Pregadores
Pregadores de roupas são ótimas peças para se transformar em letras.
Para esta atividade, basta escrever os nomes em fichas para que a criança “pregue” cada letrinha, fazendo o reconhecimento da palavra. Na ficha a palavra pode estar escrita ou não, dependendo do nível de aprendizado da criança.

Há também algumas variações:

Utilizando palitinho de picolé – a pequena aprendendo o nome do irmão :)

 

Ou montando kits específicos: em cada saquinho:
a criança já recebe a ficha com as letrinhas correspondentes.

 

 

 



Letras escondidas
Uma atividade sensorial, que faz a criança se divertir, enquanto exerce o reconhecimento das letras. Basta escondê-las em uma bacia com areia (também pode ser arroz, fubá ou qualquer outro tipo de farinha). A cada letra descoberta, a criança deve posicioná-la sobre seu desenho correspondente – pode ser sobre um papel ou, no caso de letras com ímãs, em uma bandeja ou suporte metálico.

 

 

 

Desenho na farinha
Ou no açúcar, no café, no sal, no fubá… A ideia é estimular também a coordenação motora fina dos pequenos. Pode ser apenas as letrinhas, ou palavras inteiras, dependendo da etapa que a criança estiver vivendo.

 

 

Leia, monte, escreva
Esta atividade é muito legal. Para montar, você vai precisar:
:: Criar três espaços numa folha A4: Leia / Monte / Escreva – dá pra fazer tudo manualmente
:: Plastificar a folha ou inseri-la dentro de um envelope plástico
:: Fixar em uma superfície metálica – pode ser uma bandeja ou a tampa de alguma caixa. Por aqui, fixamos na porta da geladeira, que também dá certo
:: No primeiro espaço, o adulto cola um post-it com uma palavra e a criança lê
:: No segundo espaço, a criança monta a palavra utilizando letrinhas de ímã
:: No terceiro espaço, a criança escreve a palavra usando uma caneta de quadro branco. Como o papel está plastificado, é possível facilmente apagar para realizar a atividade novamente com outra palavra.

 

Reconhecimento das letras
Atividades super simples que podem ser feitas com suportes variados. Rolinhos de papel higiênico ou copos de papel são ótimos para isso. O interessante é incentivar que a criança fale a letra também, para ir se familiarizando com seu nome e sua forma.

 

Monte a palavra

Bloquinhos de montar que viram palavrinhas, olha que legal!
Vamos lá, abra a caixa de bloquinhos dos pequenos, pegue uma caneta de quadro branco (para apagar depois e trocar as palavras) e crie as palavras – cada pecinha pode ser uma letra ou uma sílaba, dependendo do grau de dificuldade para as crianças. Vale também desenhar o objeto, dependendo do grau de reconhecimento da criança.

Quebra-cabeça de palitinho
Criar quebra-cabeças junto com as crianças é uma delícia, pois elas ajudam a decorar e dão seus palpites. Depois, é só jogar em família. A brincadeira é tão simples, que a gente incentiva que se criem vários exemplares para que a criança possa, inclusive, presentear os amiguinhos.

Outras atividades bem legais de se fazer nesta fase são a forca no papel, a adedanha, assim como recitar parlendas e trava-línguas. “A família deve ser parceira da escola, brincando. Comprar livros literários para as crianças de acordo com sua faixa etária. Ler histórias diariamente, acompanhar as atividades da lição de casa, pedir que as crianças contem fatos com sequência lógica de ideias. Valorizem as produções escritas dos alunos, mesmo que não tenha coerência, são as hipóteses que eles têm da língua escrita. A criança tem que perceber que ela é capaz e que acreditamos no seu potencial.” comenta Silvânia Assis, pedagoga.