Se eu perguntar: “Qual o brinquedo preferido da sua criança?”, possivelmente, você vai me responder: as vasilhas de plástico do armário da cozinha, ou as colheres, ou uma caixa de sapatos, ou as chaves do carro ou qualquer outro objeto simples que tenha na sua casa. Você, como adulto, certamente já se perguntou por que, muitas vezes, a criança gosta mais do pacote ou embalagem do que propriamente do brinquedo que está dentro dele. E por que será que isso acontece? Já parou pra prestar atenção em como uma criança brinca com esses objetos?

Ela simplesmente se lança, debruça, sobre uma série de testes e experiências. Vira daqui, amassa dali, espreme, joga pro lado, passa a mão, experimenta inúmeras versões deste “brinquedo”, para depois chegar às suas próprias conclusões sobre o mundo a partir dessa experiência brincadeira.

Os brinquedos tidos como autênticos ou mais habituais, verdadeiros ou comuns, oferecem à criança algo como uma receita de bolo. Um manual de como se deve brincar, de como se deve utilizá-lo e que o direciona para exatamente o que ele deve aprender com aquilo. A grande questão é que com isso, a criança se vê restrita a uma forma de brincar específica, se frustra quando não consegue atingir o objetivo do brinquedo e também às expectativas do adulto perante a tal brincadeira.

 O que devemos questionar é:  será que no momento em que o cérebro da criança mais pode aprender e absorver as informações externas, ele deveria ficar preso às “regras do jogo”? Será que não seria justamente nesse período, o momento mais apropriado para expandir sua criatividade e aprendizado?

 Os brinquedos chamados heurísticos proporcionam à criança a possibilidade de explorar objetos simples do dia a dia de forma que possam ter a oportunidade de expandir suas ideias, sua criatividade, suas percepções sobre o mundo e suas sensações.

Heurístico vem da palavra grega “eureca”, que significa descoberta. A partir desse brincar mais simples, livre e amplo, a criança se descobre e explora o mundo.

Outro ponto importante sobre os brinquedos heurísticos é que estes não contemplam objetos de plástico. Percebe-se atualmente que a maioria dos brinquedos oferecidos às crianças são feitos de plástico ou de materiais sintéticos. Qual a real qualidade de experiências sensoriais os objetos de plástico podem oferecer?

 Com o brincar heurístico,  os adultos podem auxiliar as crianças quando elas realmente precisam. O ideal é que os adultos não digam o que as crianças devem fazer e permitir a exploração de diversos materiais. Pode-se observar a curiosidade da criança, possibilitando a ela o acesso  ao material, mantendo sempre a atenção e a serenidade.

Experimente deixar sua criança explorar essa forma mais natural do brincar. E conte aqui pra gente como foi essa experiência.