Crédito: Patrícia de Sá

Desde muito cedo, a criança tem a necessidade de ser amada.  No início, busca a atenção exclusiva da mãe quando percebe seus outros papéis. Em seguida, conquista os demais membros da família.

O processo de aceitação se reinicia, quando começa a convivência em um ambiente novo, onde vivenciará uma diversidade de pensamentos e atitudes, e que exigirá um novo aprendizado sobre isto. Em torno dos 2 anos, começa a perceber que está inserida em um ambiente julgador e competitivo. E passa a lidar com um conflito interno gigantesco que é o de fazer o que quer versus fazer o que o outro quer. A maneira como os adultos lidam com esse conflito refletirá na formação de sua personalidade, tornando-a uma pessoa mais frágil ou uma pessoa mais decidida e segura.

Em torno dos 4 ou 5 anos, o reflexo da solução desse conflito anterior ficará bem evidente. A criança mais segura começa a liderar as demais, é uma liderança natural, sem tiranismo. A maioria se sente segura em alguns momentos, mas ainda precisam da aprovação de alguns colegas e adultos, normalmente aqueles que lhes são mais importantes, mas na maioria das vezes, são crianças independentes, decididas e que conseguem resolver seus problemas de forma cordial. Uma minoria se torna dependente do outro, só faz aquilo que o outro quer, não conseguem ser criativas, impor seus desejos, tornam-se mais introspectivas e tímidas. As crianças que são líderes têm uma autoestima elevada não se importando com o que os outros pensam delas. São felizes do jeito que são e não têm a necessidade de diminuir ninguém para aparecer.

A maioria das crianças tem uma autoestima média e variável. Elas gostam de ser quem são, se sentem seguras, têm períodos de timidez e extroversão dependendo do meio em que estão inseridas. E com essas crianças devemos ficar sempre atentos para não haver uma queda brusca da autoestima e transformá-la em um adolescente frágil, suscetível a imposições de terceiros para ser aceito em um determinado grupo que não condiz com os valores da família. E com aquelas crianças com baixa autoestima, é preciso um cuidado maior e sempre atento dos pais e escola, com o intuito de incentivar a criança a acreditar em suas capacidades. Normalmente é necessário o acompanhamento de um profissional psi.

A autoestima é o combustível da felicidade e da liberdade. Quando uma pessoa tem uma autoestima elevada, é capaz de lidar com todos os conflitos de uma forma mais serena. Quem tem autoestima elevada não sofre? Sofre sim, mas por menos tempo e sem autopiedade.

A maneira como os adultos lidam com as crianças é fundamental para a formação de sua autoestima. Mas é importante deixar claro que elogiar a criança o tempo todo não fará com que ela tenha uma autoestima elevada, pelo contrário, poderá gerar nela uma necessidade extrema de aprovação. Só fará aquilo que ela sabe que faz bem para ser aceita por quem a ama. O que realmente ajuda a criança a ter autoestima elevada é fazê-la acreditar em suas capacidades e potencialidades e ensiná-la a lidar com seus fracassos e dificuldades. Mostrar para a criança que todo mundo tem qualidades e defeitos, potencialidades e limitações, que cada um tem seus dons e que o que realmente importa é que ela faça o melhor que ela consegue fazer. Isso fará ela se sentir segura.

É muito importante a criança entender que cada um é um e que ninguém é melhor ou pior do que ninguém. Que todos são passíveis de erros e acertos e é essa diversidade que faz cada um ser especial.