Foto: Lira Fotos
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Uma das perguntas que mais chegam até nós diariamente é: como escolher um boa escola para o meu filho? Ou, que escola vocês indicam? Isso acontece porque, no universo da parentalidade, se tivesse um ranking de escolhas mais difíceis, a escolha da escola certamente estaria entre as primeiras delas.

Gostamos de responder a essas perguntas devolvendo uma nova pergunta: quem você quer que seu filho seja no futuro? Muito mais do que o que você quer para o seu filho ou questões como instalações, preço e localização (sim, sabemos que tudo isso é importante), deve-se levar em conta questões mais profundas.

Não importa com quantos anos você tomou a decisão de colocar a sua criança na escola, aquela história de “ah, ele é tão pequeno, questões profundas não vão fazer diferença” é certamente um dos maiores erros que se pode pensar.

É justamente por serem tão pequenos que precisamos levar em conta que tipo de formação as crianças vão receber. Que tipo de pessoa queremos que elas se tornem? Afinal, boa parte das informações que vão receber na escola dizem respeito ao pensamento, à forma como agimos e reagimos, às questões éticas, comportamentais e filosóficas.

Já parou pra pensar que não se trata de que mundo estamos criando para nossos filhos, mas de que filhos estamos criando para o mundo? Que filhos você quer deixar para o mundo? Se possível, escreva sobre isso e só aí parta para a busca de uma escola. Se você não tiver isso em mente, corre o risco de em casa buscar um caminho e na escola o seu filho aprender outro. Sabemos que boa parte disso vem de casa, mas tenha certeza, os educadores são uma grande referência nesse sentido.

As crianças são seres extremamente inteligentes, e engana-se quem pensa que elas não entendem questões mais complexas como conflitos, diferenças, negociações. Na escola elas estão vivendo o momento mais precioso da sua vida e precisam ter espaço para pensar criticamente, para serem ativas e fazer parte do conhecimento que constroem e não apenas receber informações como se não tivessem capacidade de interagir com elas.

Algumas dicas para observar, na primeira visita à escola, que irão trazer clareza sobre as questões que citamos acima:

– Qual o projeto pedagógico da escola? Os professores recebem formação continuada, ou continuam com a mesma formação há anos? Verifique se a escola realmente coloca em prática o que ela se propõe a fazer no papel.
– Como os professores lidam com questões polêmicas? Um ótimo exemplo é perguntar o que acontece se um menino quer ser a princesa na brincadeira. Você terá certeza se a escola é preconceituosa ou sexista através da resposta.
– Com que tipo de brinquedos as crianças brincam (coisas prontas, maneiras pré-estabelecidas de brincar, ou têm liberdade para criar?)
– Como a escola lida com dificuldades, síndromes e transtornos do desenvolvimento (como autismo, dislexia, tdah). Se a escola não aceita diferenças ou vê como único recurso a medicalização, você saberá que provavelmente ali, além de exigirem que todas as crianças sejam iguais, como se houvesse um padrão, é isso que vão ensinar sobre as diferenças).
– Se falarem com você sobre vestibular na educação infantil, saia correndo! Definitivamente esse não é o momento de pensar nisso. Para passar no vestibular é preciso ter boa auto-estima, confiança, ser pró-ativo, ter pensamento crítico e ser criativo. Tudo isso se aprende nos primeiros sete anos de vida. O conteúdo das provas, todos podem aprender bem depois.

Uma última dica para este post, é o livro “Educação sem Blá-blá-blá – Como preparar seus filhos e alunos para o convívio Familiar, a Escola e a Vida” da psicóloga Rosely Sayão.

“Preparar a criança para um futuro melhor é cuidar bem do presente. Criança pequena, na escola precisa ser tratada como tal, não como um futuro adulto.” – Rosely Sayão