Minha família é de Piumhi – MG e eu cresci passeando pela região.

A paisagem dos arredores é linda, montanhas no horizonte, uma vegetação do cerrado de encantar.

Recentemente, decidi levar as crianças para conhecerem os Canyons de Capitólio, que ficam pertinho dali.

De uns tempos pra cá, esse passeio tem sido extremamente procurado, pela beleza da região e pela aventura em se adentrar no lago de Furnas e visitar cachoeiras “escondidas”.

Há três formas de se fazer o passeio nos Canyons: de lancha, Chalana ou Catamarã.

O passeio de lancha permite alcançar alguns pontos onde as demais embarcações não conseguem chegar. Mas, por ser uma embarcação menor e mais rápida, pode não ser a melhor opção para se levar crianças, especialmente os menorzinhos.

A Chalana já é mais espaçosa, navega devagar e funciona melhor para crianças maiores.

Mas quando se tem crianças pequenas, como foi o meu caso, com a Sara, de 5 anos, e o Raul, que tem apenas 1 ano e meio, a melhor opção é o Catamarã. Isso, porque ele possui dois andares, sendo o debaixo fechado com janelas de vidro, oferecendo maior proteção para um pequeno que decida, de repente, sair correndo, assim como proteção contra uma eventual chuva que possa cair no meio do passeio. Como o trajeto é de quatro horas, não é possível voltar com tanta rapidez se o clima não colaborar bem no meio do passeio.

O Catamarã sai da rodovia MG 050, km 306, na ponte do rio Turvo. Ali mesmo, na beira da estrada, é possível observar várias embarcações prontas para navegar. O movimento em Capitólio aumentou tanto recentemente que, segundo a equipe do Catamarã, existem hoje aproximadamente 75 lanchas disponíveis para passeio na região. Já a Chalana e o Catamarã são exclusivos – há apenas uma unidade de cada. As lanchas acomodam em média 8 a 12 pessoas. Já a Chalana, leva 110 pessoas e o Catamarã consegue transportar tripulantes nos dois andares da embarcação.

Saímos com o dia nublado, mas como o passeio é extenso, deu tempo, inclusive, do clima “virar” e o sol aparecer em alguns momentos.  A princípio, imaginei que quatro horas de passeio seria tempo demais, mas são tantos atrativos, além das paradas para nadar, que no final a gente sente que devia ter ficado mais.

Ao se aproximar dos Canyons, até música especial toca no Catamarã, criando todo um clima emocionante no momento de se avistar aquele cenário tão esperado. E então alcançamos os imensos paredões, e lá entre eles, tão lindas quedas d’água. Uau!

Sara caiu na água na maior empolgação, mas não desgrudou da gente. Já o Raul, achei melhor não nadar desta vez. Especialmente por não estar com um colete apropriado, achei arriscado – sabe como é mãe, né. Desta forma, revezei com o marido o tchibum na cachoeira. O Catamarã fica parado durante uma hora nos Canyons para as pessoas nadarem – tempo suficiente para apreciar bastante o passeio – e para um casal se dividir pra conseguir curtir e cuidar dos seus filhotes.

Na sequência, passamos pela linda cachoeira Lagoa Azul e depois na Ilha da Fantasia – uma prainha que dispõe da filial do bar flutuante Kanto da Ilha, onde também foi possível nadar no lago. Lugares especiais, onde a pequena coletou um tantão de conchinhas.

Foi um passeio e tanto. “Mãe, eu nunca tinha andado de barco! E olha o tamanho dessa cachoeira!” Só a empolgação das crianças já valeu. Agora, vamos às dicas:

  • Estrutura: O Catamarã possui mesas e cadeiras nos dois andares. A parte de baixo é fechada com janelas de vidro na maior parte. Há uma varanda numa das pontas, onde é possível circular por alguns momentos – mas não é permitido ficar lá durante todo o passeio. Neste local, é muito importante estar com as crianças, pois ela é cercada por simples grade. É um lugar muito legal também para tirar fotos. Há também dois pequenos sofazinhos na parte de baixo. Vale tentar ficar perto deles se seu pequeno for de dormir. O Raul cochilou em determinado ponto do passeio – o balanço do barco é um incentivo e tanto para uma soneca – e o colocamos dormindo no sofá. A embarcação também conta com banheiros masculino e feminino – uma vantagem em relação ao passeio de lancha.
  • Alimentação: há lanchonete no Catamarã, mas as bebidas restringem-se a cerveja e refrigerante. E para comer, apenas mini-pizza ou salgados. A dica é levar seu próprio lanche, como fizemos – sucos nas garrafinhas, frutas e sanduíches naturais. Tudo em sacolas térmicas para ficar bem conservado.
  • Vestuário: roupa de banho e peças leves. Não se esqueça da toalha para se secar depois dos mergulhos. Apesar de navegar devagar, há momentos que bate um ventinho mais frio. Vale levar um casaco leve para as crianças. Em determinado momento, Raul dormiu, ventava e eu o cobri com um casaco, foi fundamental.
  • Segurança: crianças até 10 anos são obrigadas a usar o colete salva-vidas durante todo o passeio no Catamarã. No entanto, a embarcação não tinha colete para os muito pequenos, como o Raul (o menor tamanho ficava grande para ele). Eu levei um colete infantil por sorte, e foi o que ele usou.
  • Reserve com antecedência: tem sido difícil conseguir vagas nos passeio, assim como hospedagem na cidade, devido à grande demanda. A prefeitura de Capitólio, inclusive, soltou um aviso nas redes sociais pedindo para os turistas se programarem a fim de não correrem o risco de ficarem sem seus passeios.
  • Preços:Catamarã: R$ 90,00 (até 5 anos não paga / 5 a 10 anos paga meia)
    4 horas de passeio
    Tel: (35) 99212-9993 / (35) 98869-2687 / (35) 99704-2643
    www.catamaraescarpas.com.br

    Chalana: R$ 45,00
    Contato: (35) 998-576-604
    www.portaldachalana.com.br

    Lancha: valor varia dependendo da empresa

Descobrir as belezas naturais de Minas Gerais em família é sempre encantador, desperta a curiosidade das crianças, conecta os pequenos à natureza, além de estreitar os laços e promover momentos inesquecíveis. Por isso, aqui nessa pracinha a gente continua incentivando os passeios lá fora – e se der para incluir as cachoeiras no trajeto, será um bônus e tanto.

“Nossos filhos têm que estar na água – disse Robert F. Kennedy – É isso que nos conecta, que conecta a humanidade, é isso que temos em comum. Não é a internet, são os [lagos e] oceanos.”

Richard Louv – A Última Criança na Natureza