Sabia que existe, em Beagá, um Museu da Moda? E que ele é o primeiro museu público do segmento no país?

O Mumo – Museu da Moda foi inaugurado recentemente – em dezembro passado – e fica no “Castelinho” da rua da Bahia. Aquele local que muita gente, até hoje, confunde com uma igreja e chega até a fazer o sinal da cruz (!).

Num desses dias de férias, fomos lá conhecer. O espaço foi originalmente construído para atender a Câmara Municipal, ainda em 1914, e chegou a funcionar também como Museu de Mineralogia. Tombado, tornou-se Centro de Referência da Moda em 2012 e atualmente, passou a configurar como Museu, destinado ao estudo, registro e divulgação da moda, unindo ali tradições e tendências.

Atualmente, a mostra em exibição traz o “33 voltas em torno da terra”. Trata-se de uma reflexão sobre a memória da indústria têxtil em Minas Gerais. Quantas voltas em torno da terra são necessárias para uma indústria atingir 168 milhões de metros de tecidos, em 93 anos, garantindo uma produção sustentável? Esse é o questionamento do trabalho apresentado. 

São dois andares ambientados lindamente, com a mostra distribuída em 5 salas:

1 | Apresentação: o algodão, da planta à fibra

Uma textura de carretéis gigantes nas paredes confere um ar curioso ao local. Ali, visualizamos alguns dos primeiros tecidos produzidos em Minas Gerais e adentramos no mundo do algodão, observando a pluma que se torna fibra.

2 | Transformação: da pluma ao pano

O processo que transforma o algodão em tecido plano é apresentado neste ambiente. À direita inferior, o algodão com caroço. Na sequência, sua transformação é representada em sentido horário, até chegar ao tecido.

3 | Superfície: impressões da indústria têxtil

Aqui a gente se encantou com os “cunhos e matrizes” utilizados para criar as mais variadas estampas, como a chita, entre tantas outras. Mostruários de tecidos com variados modelos da época também nos fizeram viajar e imaginar as combinações da época.

4 | Linha do Tempo: Fio da memória

Nesta sala, acompanhamos a produção do algodão e do tecido, em diferentes painéis, nos diferentes períodos da história, pelo mundo inteiro.

5 | Memória da tecelagem: acervo histórico

Aqui, encontramos expostas as mais antigas fiadeiras. “Ah, foi numa dessas que a Bela Adormecida furou o dedo….!” Aí aquela parte do conto de fadas, de repente, fica mais real. Outros equipamentos de tecelagem também estão expostos, uma parceria do Museu Histórico Abílio Barreto.

No final do passeio, encontramos uma biblioteca pública dentro do prédio, que faz parte da rede de bibliotecas da cidade. Nela você pode pegar um livro emprestado e devolver em outra, como a Biblioteca Infanto Juvenil da Praça da Estação, por exemplo.

Eu achei que encontraríamos um rico acervo sobre moda no local, mas ele na realidade é ainda tímido. Há, no entanto, o objetivo de aumentá-lo gradualmente. 

Os títulos infantis são variados e muito interessantes – passamos boa parte do passeio lendo histórias juntas {encontramos, inclusive a edição de Cecília Meireles com o poema do Raul, que tanto curtimos}. Saímos de lá também com a promessa da bibliotecária de promover oficinas infantis sobre moda – vamos acompanhar!

O prédio do Museu da Moda, tombado pelo IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais , tem suas belezas e curiosidades. Uma escadaria que remete à decoração do século 20, lindos vitrais e uma varanda que dá para o clássico edifício Maletta.

Visitar o Museu da Moda, portanto, além de ensinar sobre este segmento, leva-nos a conversar com os pequenos sobre a história da nossa cidade, que teve início nessa região central. 

Hora de agendar o passeio!
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