Só, e no mais: sem ti, jamais nunca – Minas, Minas Gerais
Guimarães Rosa

Se eu pudesse escolher uma cidade para morar no interior dessas Minas Gerais, seria Tiradentes. “Gosto demais da conta, sô!”.  Nas duas últimas férias escolares, em julho/16 e janeiro/17, fomos para lá, passeando, curtindo a boa mineridade. Nesta última viagem, ainda vivenciamos um pouquinho da Mostra Tiradentes de Cinema. Visitamos a cidade em duas estações diferentes, e foi super tranquilo com as crianças. No inverno é frio, mas os passeios a pé dão sempre uma “aquecida”e, à noite, basta se proteger. No verão é quente, como em todos os outros lugares.

Cidade histórica se anda muito a pé, por isso, é fundamental calçados confortáveis, uma mochila com água e roupas extras, protetor solar e disposição. Para os menorzinhos, vale muito usar o sling. A gente também fez um passeio de charrete, que as crianças curtiram à beça, com direito a contação de histórias pelo guia. Aprendemos curiosidades sobre máximas mineiras, como “sem era, sem bera, estribeira”, “lavando a égua” e até a história do pé de moleque (rs)…

O nosso passeio preferido é andar sem roteiro, uma viagem ao ar livre. Brincar pelas áreas verdes e pela pracinha principal. Gostamos de observar os detalhes, pensar na história do lugar. A gente sempre descobre uma novidade, seja um local desconhecido – como o Bosque Mãe D’Água – um café ou restaurante novo.

Se é a sua primeira vez na cidade, ou se não passeia por lá há muito tempo, comece pelo Centro de Atendimento ao Turista, no Largo das Forras, que funciona diariamente (das 9h às 17h). Lá você poderá pegar um mapinha para se localizar.

Para quem viaja com crianças, é interessante pensar sempre em um local de apoio, e nós utilizávamos o Centro de Cultura Yves Alves (Sesi: r. Direita, 168), que possui uma área para leitura infantil permanente e banheiros disponíveis (mesmo sem fraldário, é possível se virar com os bebês). Também fizemos “pitstops” na área externa do Museu da Sant’ana, em frente da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (sempre com muita sombra), na área externa do Museu Casa Padre Toledo e no Chafariz. Você encontrará banheiros (alguns com fraldários) nos Museus. A maioria dos restaurantes, lanchonetes e cafeterias, não possuem fraldários, então, não se esqueça de planejar esses pontos de apoio e preparar uma bolsa para os imprevistos.

A fachada da Matriz de Santo Antônio foi traçada por Aleijadinho e é um dos lugares com a mais bela vista da Serra São José e da cidade. No alto de uma colina, fica a Capela São Francisco de Paula, as meninas adoraram brincar pelo gramadão. Igrejas e Capelas são uma riqueza a parte, assim como os Museus, um passeio com aula de história do Brasil.

Fomos ao Museu da Sant’ana, na Casa Padre Toledo e no da Liturgia. Na Casa Padre Toledo, as crianças ficaram encantadas com o gramado da parte interna e brincaram muito. No da Liturgia, Cecília gostou de acompanhar os aúdios ainda na área externa e conhecer o santo protetor (eles disponibilizam uma caixinha para você tirar o nome na sorte). Todos os espaços oferecem visitas guiadas pelo educativo, basta buscar as informações diretamente com eles.

Em uma manhã, passeamos pelo Bosque Mãe d’Água, com vegetação remanescente da Mata Atlântica e um aqueduto de pedra construído, provavelmente, no século XVIII pelos escravos. O bosque guarda a nascente que abastece o Chafariz São José – outro ponto turístico que as crianças adoraram, principalmente, para observar os peixinhos e correr muito. (O Bosque fica aberto diariamente das 8h às 16h).

Ir a Tiradentes também é uma oportunidade para passear de Maria Fumaça, o trem faz um trajeto até São João Del Rey que dura cerca de 35 minutos. Você pode fazer um passeio por lá, ou optar por ir e voltar em viagens seguidas. A Maria Fumaça funciona de sexta a domingo e é um passeio concorrido. Vale se programar assim que chegar à cidade. Em período de férias escolares, o horário é diferenciado.

Você já assistiu a um Teatro de Marionetes? Nós assistimos ao espetáculo In Tubo da Companhia de Inventos e foi muito bacana. Uma companhia formada por uma família dedicada e super criativa, indicamos para todas as idades. As apresentações geralmente acontecem aos finais de semana, então, vale dar uma passadinha no Teatro, que fica na rua Direita, e confirmar a programação.

Um outro lugar imperdível é a Casa Torta, que fica no distrito de Bichinhos – local bastante recomendado pelo artesanato, que vale conhecer. O espaço é uma casa para brincar, inaugurado no final do ano passado, e que tem uma proposta muito legal. A Lu, proprietária, te recebe de forma bem simpática e deixa toda a família super à vontade. Reserve um bom tempo para as crianças curtirem por lá, de forma livre, e aproveite para tomar um café e colocar o papo em dia. A casa fica na r. São Bento, 637, e funciona quinta e sexta a partir das 13h30 e sábados, domingos e feriados a partir das 10h.

Memórias afetivas
Memórias afetivas

E onde se hospedar? Existem inúmeras opções na cidade, seja na parte mais central ou na área rural. A gente curte muito a Pousada Óleo de Guignard, temos uma história afetiva com a antiga proprietária e já nos hospedamos por lá inúmeras vezes (com e sem filhos). Mas, também já nos hospedamos em outros locais super legais.

Fizemos muitas paradas nos diversos cafés e chocolateiras. Tomamos sorvete e comemos muito doce de leite. A Cecília até mexeu no tacho do famoso Chico Doceiro – o melhor enroladinho de Minas.

Na cidade a gente come muito bem comida mineira e vários outros cardápios. Vale dar uma pesquisada e fazer um roteiro prévio para você não se perder diante de tantas ofertas. Muitos dos restaurantes não possuem “play” ou espaços infantis – mas isso nunca é empecilho pra gente – na verdade, até preferimos. Assim, temos oportunidade de conviver ainda mais com as meninas (confira neste post como a gente pode curtir com as crianças).

Já estamos programando a nossa próxima visita, pensando em um roteiro com mais contato com a natureza. Pretendemos visitar a Gruta Casa da Pedra, as cachoeiras e parques próximos a Serra São José. E vocês?

“Minas é saborosamente mágica. Ave, Minas! Batizada Gerais, és uma terra muito singular.”- Frei Betto