Quem conhece a história de Pituchinha? Foto: Patrícia de Sá
Quem conhece a história de Pituchinha? Foto: Patrícia de Sá

Dia desses, recebi a visita de uma amiga querida e seus filhos em minha casa. As crianças estavam brincando bem felizes e num dado momento, quando estávamos todos no quarto de livros/brinquedos, minha amiga fala: “Filha, olha esse livro, é de quando a mamãe era criança!”. Ela se referia ao livro Pituchinha, de Marieta Leite. A filha fez uma carinha tão linda e curiosa, e as duas assentaram para ler o livro. Fiquei tão feliz ao ver aquela cena… primeiro por ter “proporcionado” a elas aquele momento tão fofo, segundo porque vi, mais uma vez, como a literatura e os livros são importantes na nossa vida, e ficam para sempre.

Essa cena me fez refletir sobre essa importância da literatura na vida da criança. Cresci em uma casa de pais e irmãos mais velhos leitores, os livros sempre fizeram parte da minha vida. Tínhamos uma estante de livros que ia até o teto, nas prateleiras de baixo os infantis e, no alto, os livros de adulto. O exemplar da Pituchinha que minha amiga achou, guardo desde aquela época, original, da Editora Bakana.

Qual a representatividade desses livros e de muitos outros na minha vida? Que importância têm na minha formação pessoal e até profissional?

Outro livro que me traz memórias agradáveis e que comprei de novo, depois que o Lucas nasceu, foi A porquinha do rabinho enrolado, deTherezinha Casasanta. Lembro de minha mãe lendo pra mim e vejo, no rosto do Lucas, os mesmos sentimentos: tristeza ao ver a porquinha sozinha e com frio, alegria, quando ela consegue voltar pra casa.

Visitando a Biblioteca Pública Infantojuvenil de Belo Horizonte, que agora está em um prédio espaçoso da Praça da Estação, encontrei dois outros livros que mexem muito com minha memória afetiva e minha primeira reação foi de dividir esses sentimentos com o meu filho: Lúcia já vou indo, de Maria Heloísa Penteado, e Chuva que não acaba mais, de Maria Mazzetti. Fiz o empréstimo e levei os livros para casa na maior ansiedade. Quando mostrei para o Lucas, ele, que adora livrinhos, ficou todo animado, quando falei que eram livros da minha infância, a animação aumentou. Depois, ela pedia: “Lê aquele livrinho de quando você era criança, mamãe.”

Que bom poder compartilhar com ele essas lembranças e esse legado que meus pais deixaram para mim, da importância da literatura e de tudo que ela agrega em nossa vida.