Refletindo diante de tantos casos de violência expostos na mídia, muito me preocupa aquela que não deixa hematomas e feridas visíveis, é muito vivenciada na infância e provoca marcas profundas que afetam toda a vida do violentado: a violência psicológica e emocional.

Esse tipo de violência é, na maioria das vezes, verbal, mas pode ser comportamental. Todo tipo de humilhação, rejeição, intimidação, punição exacerbada, isolamento e desrespeito são considerados violência emocional. O agressor sempre fará com que a vítima se sinta a pior das pessoas, incapaz e culpada por tudo de ruim que ocorre consigo mesmo e com o mundo. O agressor faz com que a vítima se torne totalmente dependente, pois a faz crer que não é capaz de nada sem ele. Normalmente, as vítimas de agressões psicológicas tornam-se pessoas inseguras, solitárias, amedrontadas e infelizes.

Crianças, vítimas de violência emocional, quando chegam à fase adulta não conseguem reconhecer a violência. Geralmente, voltam a repetir o comportamento ao se tornarem pais, em um ciclo vicioso.  Como fazer para que este ciclo seja rompido? Primeiramente, é necessário tomar consciência de que o que vivenciou na infância não é normal, e nem a única opção para educar ou relacionar-se em família. Esse reconhecimento, geralmente acontece quando a vítima começa a perceber nos outros, novas formas de convivência, ou quando são questionadas a respeito.

Após esse tomada de consciência é preciso muita coragem, força de vontade e apoio para conseguir mudar. Pois para deixar de ser violentado emocionalmente é necessário acreditar em si próprio e quebrar tudo aquilo que o agressor lhe disse e lhe fez. E na maioria das vezes, é preciso se afastar do agressor. Pois mudá-lo é mais difícil.

Esse tema é complexo, mas a discussão é essencial. Precisamos avaliar se os nossos filhos não estão sofrendo agressões emocionais, seja no núcleo familiar, na escola ou entre os amigos. Será que seu filho se sente acuado em alguma situação ou lugar? Será que ele se sente pior do que as outras crianças? Ele tem medo de se relacionar com outras pessoas? Ele prefere se isolar em seu mundo?

Se em alguma das perguntas acima você respondeu sim, passe a prestar mais atenção, onde, como, quando e com quem essas situações ocorrem. E converse muito com seu filho para que ele se sinta acolhido por você e consiga expor o que está acontecendo. Ensinar aos nossos filhos a se amarem, a se respeitarem e a se conhecerem os fará sentirem-se mais seguros e serão menos susceptíveis a agressões emocionais.