Hoje conto a vocês a minha experiência com o desfralde noturno da minha filha, de 5 anos e 2 meses. Eu ainda não a considero totalmente desfraldada, e muitos podem considerar como uma decisão tardia.

Com um ano e meio, ela deu o primeiro sinal de que estava entendendo quando queria fazer xixi e côco. Compramos um pinico e deixamos no banheiro. No primeiro dia, ela fez a maior festa e o usou uma vez. Porém, logo depois descobrimos uma infecção urinária. Após o tratamento, ela não deu mais sinais de suas vontades, então, a associação feita era pela dor provocada pela infecção. Mantivemos o uso da fralda.  Nesta idade, ela não aceitava fazer o côco na fralda. Sempre corria para o banheiro, tirava toda a roupa, agachava no box e fazia. Eu insistia para fazer no pinico ou no vaso, mas todas as tentativas não funcionaram. Depois de um tempo, entendi que era a posição mais confortável para ela, pois por volta dos dois anos, ela passou a fazer no pinico. Antes dos dois anos e meio, ela tirou a fralda e me pediu para usar a calcinha durante o dia. Virou uma rotina. No primeiro dia, eu a lembrava de fazer xixi, mesmo estando ou não com vontade. No segundo dia, não a lembrei mais, e não tivemos escapes desde então.

Já o desfralde noturno começou por volta dos quatro anos. Ela é uma criança que bebe mais de 2 litros de água por dia, fora os outros líquidos. Então, a fralda da noite nunca acordava seca e ela não se incomodava com essa situação. Mas, quando começou a conversar com coleguinhas que já não usavam a fralda para dormir, começou a se cobrar para parar também. Um dia decidiu não dormir de fralda, concordei para avaliar sua maturidade. ela não acordou para fazer xixi, fez na cama e ficou frustrada. Conversei com ela na manhã seguinte, expliquei que era normal, que a nossa cabeça demora a entender que a gente precisa acordar para fazer xixi e a encorajei que iria conseguir. Nos cinco dias seguintes a situação foi a mesma. Comecei a observar o horário que ela queria fazer xixi a noite, e durante o dia, acompanhei a ingestão dos líquidos e as idas ao banheiro. Assim, pude ajudá-la. Eu e meu marido começamos a levá-la ao banheiro após 2 horas e meia de sono, e se considerávamos que não havia sido suficiente, a levávamos mais uma vez, após 1 hora e meia da primeira ida.

Desde então, os escapes tem sido raros. Este ano, por exemplo, aconteceu apenas um dia, quando não a acordamos. Por isso, digo que ela não está desfraldada. Algumas vezes, ela diz que não quer fazer xixi, e passa a noite sem fazer, em outros dias, ela levanta bem cedo e vai ao banheiro.  Noto um início de amadurecimento, no entanto, sei que a nossa “ajuda”, levando-a ao banheiro, tem retardado o processo. Porém, decidimos a ajudá-la a se sentir segura.

Muitos pais se cobram em relação ao desfralde considerando a idade do filho, e entram em desespero quando a criança não está preparada. Não há uma idade certa para acontecer. Depende do desenvolvimento de cada criança, que é inerente a ela. Fique atento aos sinais do seu filho. É a criança que mostrará se está pronta para dar esse primeiro passo de autonomia, seja pela maturidade ou pela frustração – quando estão tendo dificuldades. Nesse caso, o melhor caminho é buscar soluções que faça a criança se sentir segura e capaz, até uma conversa com um profissional da área de saúde.

Ajudar os nossos filhos em seu crescimento é muito importante. Apoiá-los é fundamental. É importante dar um passo de cada vez. Se a criança não está preparada para aquele desafio, que está lhe causando sofrimento, pense em uma solução temporal, que minimize o minimize de forma momentânea. Faça sempre o possível para seu filho.