Sempre me interessei por tudo ligado à infância, mesmo antes de ser mãe. Nos últimos 3 anos, com a chegada do Lucas, esse interesse se intensificou e se tornou mais crítico e criterioso. Algo que sempre me incomodou foi a publicidade voltada para o público infantil. Antes, tinha um conhecimento mais restrito, mais de “ouvir falar” de pais que já viviam esse bombardeamento em suas casas por meio dos canais de desenho animado. De um ano pra cá, quando Lucas começou a ter contato maior com a TV, pude ver e viver de perto a forma como essas propagandas são veiculadas e o modo (quase) agressivo como isso acontece.

O tempo médio de um desenho animado que passa nesses canais é de 20 minutos, sendo que o tempo destinado na grade de programação é de 30 minutos, ou seja, pelo menos 10 minutos é destinado à publicidade. Qual tipo de publicidade? Produtos e “alimentos infantis”, associados a personagens dos desenhos e filme de animação, super-heróis.

Não é meu objetivo neste texto discorrer sobre a publicidade infantil e os malefícios que a falta de regulação dessa ação tem causado nas crianças e nas famílias. Queria propor aqui outra reflexão, por meio de uma pergunta: Alguém já viu alguma propaganda sobre um livro de literatura infantil? Eu nunca vi.
E por que será que isso não acontece? O livro infantil também é um produto, pelo qual pagamos um valor, comprado em uma loja, do mesmo modo como os brinquedos. Por que não interessa aos publicitários criarem propagandas para eles? Por que não interessa aos canais de TV veicularem essas propagandas? Será que não interessa às editoras e aos autores essa divulgação?

Fiquei pensando nessas questões, para as quais, sinceramente, não tenho resposta. Será que tem relação com o fato de termos pouca valorização da cultura em nosso país? Ou será que é mais atrativo e cômodo comprar um brinquedo que irá exigir menos dos pais? Pois o livro tem que ser lido pelo adulto, tem que haver uma interação entre a criança e o adulto que vai mediar a leitura. Muitos brinquedos não exigissem isso, a criança brinca sozinha, “dá sossego” para os pais, o que facilita muito.

Bom, ficam aí as reflexões. Se algum dia eu conseguir encontrar essas respostas, faço questão de escrever outro texto.