Em julho passado, saímos de férias para apresentar as cidades históricas que tanto curtimos para as meninas. Sem tablet, DVD portátil, jogos no celular. Sem aplicativo streaming. Nos hospedamos em hotéis sem canais fechados com programação infantil.Nos restaurantes e cafés, não havia telas, espaços kids ou plays. Não foi intencional, mas uma baita oportunidade.

E o que a gente fez durante o tempo livre? Brincamos muito, demos risadas e conversamos. Criamos “invencionices” – como diria Emília, vivemos o faz de conta, descobrimos curiosidades, aprendemos juntos. Tudo sem telas. Foram momentos acolhedores, com muita troca, conversas e lembranças.

Não foi fácil todos os dias. O  tédio, o “nada para fazer” pode aborrecer e encontra muita resistência, principalmente, por parte dos adultos. Mas, queríamos muito que as crianças experimentassem o ócio, as férias. Em alguns momentos, foi necessário direcionarmos as brincadeiras e participar, é claro. Em outros, ficamos como espectadores, aproveitando o momento para observar a criatividade e a inspiração emergindo de seus instintos, impulsionados por aquele olhar curioso tão particular da criança.

A rotina cotidiana nos coloca em modo automático e não percebemos como uma conversa durante o almoço, uma história no momento do café da manhã ou da tarde, pode alegrar o nosso dia. Mesmo em uma família onde as crianças têm muito tempo livre. Desacelerar é preciso, e para isto, é necessário desconectar para nos conectarmos com aqueles que mais importam. Essa desconexão, as férias off-line, mesmo que parcial, foi um exercício muito importante para notarmos como muitas vezes perdemos em proximidade com a distância que a tela ocasiona. Se para muitos as redes sociais aproximam, em vários momentos elas também nos distanciam, basta perceber como as crianças ficam impacientes quando “temos que checar aquela mensagem” bem na hora da brincadeira.

E não é necessário viajar para praticar as #feriassemtela – seja no campo, na praia ou na cidade, permita-se curtir o agora em família. Repetimos a ideia nas férias de verão e agora, em julho.

Para incentivá-los, compartilhamos algumas dicas que ajudarão a produzir muitas memórias afetivas para todos os membros da família. Tem coisa melhor do que lembrar com carinho de como foi a infância da gente?

Brinque junto
“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo” – Carlos Drumond de Andrade
Participar da brincadeira com as crianças é uma forma de resgatarmos a nossa criança interior e viver de forma mais leve. Brincar desestressa. Experimente, resgate histórias, crie novas narrativas em família. Permita que os pequenos direcionem a brincadeira, eles são criativos e você irá curtir entrar na fantasia. Deixe que flua naturalmente, não se atenha a regras, modos de brincar. E lembre-se, para brincar não é necessário brinquedo.

Desapegue para brincar
Esqueça antigos posicionamentos do que é certo ou errado, do que pode ou não pode, de que sujeira faz mal, e deixe com a criança vivencie a diversão. A gente já conversou muito a respeito disto neste post.

Contemple o simples e o trivial
Você já parou e observou o céu com as crianças? Já seguiu o caminho das formigas? Já pediu ajuda para colocar a mesa do café da manhã? Já perguntou para os pequenos como eles acham que as coisas são criadas? Embarque no olhar curioso dos pequenos e encante-se.

Desbrave a vizinhança
Temos encontrado tantas surpresas interessantes com as crianças nos arredores de casa – assunto para ouro post. Tornou-se um hábito passear pelas ruas vizinhas e até mesmo das casas dos avós e das tias. Percebemos sutilezas até então ignoradas pela rotina corrida. Experimente!

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas.”
Manoel de Barros

Conecte-se com a natureza
O ambiente natural é o território nato do brincar, são tantos desafios e estímulos em apenas um passeio pelo parque ou mata da cidade.  “Na natureza, o corpo e os sentidos das crianças estão totalmente despertos, abertos às diferentes sensações táteis, gustativas, olfativas, visuais, sonoras que a natureza em si possibilita, como as experiências de entrar no mar; de ouvir os sons dos ventos e dos pássaros; de sentir cheiro de terra molhada ou de uma flor. Ao estimular os sentidos, o contato com a natureza possibilita o desenvolvimento da sensibilidade e dos órgãos de percepção da criança, aspecto fundamental para que ela cresça saudável e integralmente.” – Ana Cláudia Arruda Leite, coordenadora de educação do Instituto Alana

Descubra a cidade
Já pensou em circular pela cidade com um olhar “turístico”? É um passeio bastante interessante, que enriquece as nossas vivências em relação a cidade que escolhemos morar. Monte um roteirinho e aventure-se em família. Pontos turísticos, casarões históricos, praças centenárias, museus são tantos novos lugares em que podemos brincar.

. Colecione elementos
Na minha casa temos relíquias encontradas em parques, praças, esquinas da cidade. A gente curte muito colecionar os elementos para que possamos criar novas brincadeiras. Gravetos viram inúmeros brinquedos, folhas e sementes se transformam em complementos nas artes. Que tal guardar alguns para que possam relembrar as férias?

. Ganhe tempo e memórias afetivas
Tempo livre não é tempo perdido. Estar junto aos seus miúdos, criando novas memórias, lembranças afetivas e acolhedoras de sua família é sempre um ganho, sempre.

Foto: Fabiano Aguiar
Foto: Fabiano Aguiar