Foto: Rafael Odon

 

“No seio das Minas Gerais
Bom Jesus de Matosinhos
Abriga tesouros da fé criados por Aleijadinho
Em trajes de pedra
Em formas tão belas
Doze silhuetas
Ao longe eu avisto”
[Donizete Anderson]

A 80 quilômetros do centro de BH existe um paraíso barroco perdido entre as montanhas. Menos visitada que as vizinhas Ouro Preto e Mariana, Congonhas é uma cidade histórica que merece ser explorada. É ali que encontramos o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, onde estão os doze profetas esculpidos em pedra sabão em tamanho real por Aleijadinho. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, o conjunto da obra é considerada por muitos historiadores como o maior monumento do barroco mineiro, obra-prima de Antônio Francisco Lisboa.

Apesar da proximidade da capital eu ainda não havia me aventurado por aquelas bandas. Em 2013 meu pai compôs uma canção sobre o Santuário e ao ouvi-la a vontade de passear por ali só aumentou. Nas últimas férias de julho, saímos numa quarta-feira de manhã para passar o dia na terra dos profetas.

A cidade se desenvolveu bastante, então quando chegamos por lá não encontramos de cara uma paisagem colonial como a de Ouro Preto ou Tiradentes. O caminho que seguimos nos conduzia para os fundos da igreja, passando por casas modernas. Assim que estacionamos, a grata surpresa: enfim a parte histórica da cidade, vista pelo mesmo ângulo dos profetas!

A paisagem do Santuário é maravilhosa. Do alto, avistamos as montanhas demarcando o horizonte e as muitas casas em estilo colonial compondo o clima de cidade histórica. Os profetas chamam muita atenção pelos ricos detalhes esculpidos e suas expressões corporais. Os meninos ficaram maravilhados com tanta beleza. Nos demoramos por lá, explorando primeiro o exterior e depois conhecendo a parte interna da igreja.

Logo abaixo da igreja, descendo suas escadarias, uma ladeira calçada com seis capelinhas entre jardins nos convidam para uma espiadinha. Cada uma delas retrata uma cena da Via Crucis, com estátuas de cedro também em tamanho natural talhadas por Aleijadinho à mão e pintadas por Manoel da Costa Ataíde. Vale muito a pena conferir essas maravilhas. A meninada adorou espiar pelas grades e descobrir o que havia atrás dos portões.

Na região da igreja, conhecida por Basílica, encontramos várias lojinhas com produtos típicos de artesanato mineiro. Encontramos alguns brinquedos de madeira bem interessantes por lá!

Por ali também estão nossos  outros destinos turísticos dessa visita, o Museu de Congonhas e a Romaria. Exploramos demoradamente cada um deles depois do almoço (ah, a comida mineira das cidadezinhas de interior… hmmm!).

A Romaria é hoje um centro cultural e sede de órgãos da prefeitura local. No passado, na mesma área, havia uma hospedaria para abrigar os romeiros que vinham à cidade para festas religiosas e peregrinações. A construção atual reproduz a original. Em seu pátio brincamos e descansamos nos banquinhos, aproveitando a tarde livremente com as crianças.

No Museu, muito bem equipado e cheio de recursos multimídia, conhecemos um pouco da história de como foram produzidos os objetos sacros do período barroco, e ficamos sabendo um pouco sobre ex-votos – objetos oferecidos por devotos em agradecimento por graças alcançadas. Aproveitamos o café do museu para tomar um cafezinho antes de retornar pra capital.

Como gostamos de explorar sem pressa os espaços e curtir os ambientes ao ar livre, não conseguimos visitar outras igrejas e museus. Pretendemos voltar em breve para curtir um pouco mais essa cidade especial!

Se você procura uma opção de passeio para um dia das férias, um feriado ou recesso, coloque Congonhas entre suas opções. Vocês irão se surpreender com o passeio!

“Nas férias de julho, aproveitamos a dica da Thais e fomos passar o dia na cidade. Sentamos no gramado da praça da Basílica, espiamos as capelinhas que retratam a via crucis, brincamos pela Romaria, exploramos o Museu de Congonhas – as crianças adoraram a maquete interativa da cidade. Que passeio agradável. Congonhas é logo ali, não deixe de incluir em seu roteiro.”
Flávia Pellegrini, idealizadora do Na pracinha