Foto: Patrícia de Sá

 

Desde a infância nosso paladar é influenciado pelo sabor doce. Na verdade, tudo o que a mãe come ainda na gestação já tem grande influência sobre o paladar dos bebês.

Por hábito, adoçamos sucos, leite, café, massas, vitaminas, bolos, mingau e até frutas, que já são docinhas por natureza. Esquecemos de ensinar as crianças a sentir o gosto natural de cada coisa. Assim, aprendemos a camuflar nosso paladar e escondemos o verdadeiro sabor dos alimentos. Essa prática pode diminuir e muito as chances de a se experimentar novos alimentos que não tenham esse sabor adocicado.

Além disso, o açúcar refinado está presente em alimentos ultraprocessados que nem fazemos idéia, por exemplo, bolinhos de personagens, refrigerantes, sucos em pó e de caixinha, biscoitos recheados, sorvetes, ketchup, achocolatados, entre outros.

Acontece que o açúcar nos causa dependência (sim, isso mesmo!). Ao ingerir açúcar simples, nosso organismo sofre um processo metabólico que nos faz querer mais açúcar no dia seguinte e nunca estarmos saciados. É um ciclo vicioso! Para a indústria alimentícia, essa dependência é um negócio lucrativo.

E como fica a saúde de seu filho? Sabemos que alimentos adoçados podem causar problemas como cárie dentária, diabetes mellitus tipo 2 e obesidade.

“Não posso usar açúcar refinado, mas posso usar adoçante? ” 

Boa pergunta! Primeiramente os adoçantes são produtos industrializados que, mesmo aqueles considerados naturais, passam por processamento. Eles são indicados para pessoas com diabetes sob orientação de nutricionista. Fazer uso de adoçantes é acrescentar o sabor doce e camuflar o sabor real dos alimentos. Além disso, eles atrapalham a absorção dos nutrientes no nosso organismo. Ou seja, adoçantes não são indicados para crianças!

“Então, o que usar no lugar do açúcar branco refinado?”

Podemos recorrer a algumas táticas para não usar açúcar na alimentação das crianças. Alguns sucos não precisam ser adoçados, pois o próprio açúcar da fruta já é suficiente! No caso das frutas um pouco mais ácidas, como o limão, o maracujá e até a laranja, é possível associá-las com cenoura, maçã, melão, beterraba, que têm sabor mais neutro e adocicado, e assim quebramos a acidez e, se necessário for, acrescentamos açúcar em menor quantidade. Se ainda assim o suco estiver muito ácido, opte por açúcar mascavo orgânico ou rapadura/melado de cana que, apesar de serem igualmente açúcar, possuem um pouco de ferro e minerais, além de não terem produtos químicos de processamento. O mel de abelha também se encaixa com uma opção.

Dicas e lembretes úteis:

– O ideal é não adoçar os sucos e frutas de forma alguma.

– Os sucos naturais são indicados para crianças acima de 1 ano de idade e até 120ml por dia, segundo a Sociedade Americana de Pediatria.

– Prefira as frutas in natura a sucos, pois elas auxiliam a mastigação e o paladar da criança, além de possuir mais fibras, vitaminas e minerais.

– Explique para seu filho o que ele está comendo, diga e peça que ele repita o nome dos alimentos.

– Evite os alimentos ultraprocessados na lancheira de seus filhos.

– Prefira frutas e biscoitos feitos em casa como opções de lanche.

– Faça bolos caseiros com ingredientes menos refinados para o lanchinho das crianças.

– Envolva a criança no processo de compra, higienização, porcionamento e elaboração de receitas.

–  É hoje que construímos o futuro!

Fonte: MARTINEZ RUBIO, A. Revista Pediatría Atención Primaria. 2016; 69: 11-13.

*Editado por Thais Alencar Consultoria Linguística