Foto: Viviane Lacerda

Amamentei Olívia por 2 anos e 7 meses, uma grande vitória para nós. Passamos pelos percalços que a grande maioria das mães vivenciam – dos desafios a cada pega, da dor nas primeiras mamadas, das fissuras e das noites mal dormidas – para transformar um ato considerado natural – e muitas vezes, difícil – em um momento único, íntimo, uma conexão só nossa, resultado de muita dedicação.

A amamentação foi a minha grande frustração nos cuidados com a minha primeira filha, Cecilia. E esta história falha começa antes mesmo da minha primeira gestação. Em uma consulta rotineira qualquer, ainda adolescente, uma ginecologista me disse que eu teria dificuldades para amamentar, pois teria o “bico invertido”. Realmente, eu nunca tive o bico proeminente, mas esta informação equivocada me fez internalizar aquilo e duvidar de minha capacidade.Durante o pré-natal de Cecilia, a minha GO não me orientou quanto à amamentação. Resolvi fazer um curso particular e a enfermeira me disse que talvez eu conseguiria, mas dependeria de “n” fatores, não apenas físicos, mas fisiológicos e psicológicos. Confesso a vocês que passei os nove meses “encucada”, e por conta disto, me cerquei de apetrechos impeditivos para uma boa pegada – bico de silicone, chupetas e mamadeiras, por exemplo. Lembro-me das diversas tentativas para colocá-la para sugar, filha chorando e a mãe estressada. E assim foram se passando os dias, sempre muito cansativos, até o fim da licença maternidade e a volta a uma rotina de mais de 10 horas de trabalho diárias – que em nada contribuía para incentivar a amamentação. Foram vários dias internalizando uma culpa com muitos “e se eu tivesse feito isso”, “e se eu não tivesse feito aquilo”…. Até hoje ainda penso que eu deveria ter me dedicado mais.Quando me descobri grávida pela segunda vez, resolvi encarar tudo com mais leveza. Busquei novas informações, conversei com muitos profissionais, segui as orientações da minha GO e da pediatra para conseguir amamentar – se fosse possível – com tranquilidade, e se não fosse, promete a mim mesma que não me culparia. As dores dos primeiros dias, as mordidas da bebê com 6 dentinhos, e as noites mal dormidas não diminuem o meu carinho especial por este momento. É muito prazeroso saber que estamos ali, apenas eu e ela. É motivo de orgulho saber que naquele momento eu estou provendo os nutrientes mais importantes para que ela cresça saudável. Mas, não é fácil. Muito pelo contrário. Além dos percalços já relatados, ainda lido com a pressão pelo desmame – não é raro eu escutar de familiares próximos que ela ficará “mimada”, pois ainda mama; ou que ela chora porque só quer “peito”- e até preconceito, não foram poucas as vezes em que escutei um “nossa, mas ela ainda mama deste tamanho!?”.

Esta minha nova experiência positiva é resultado de uma mudança de atitude, por isso, se você também pretende permitir uma amamentação prolongada a seu filho, é importante que tenha confiança em si mesma. Além disso, vale saber que:
– o alojamento conjunto na maternidade é incentivador para o aleitamento;
– chupetas, bicos de silicone e mamadeiras interferem no aleitamento, pois o bebê tende a confundir os bicos;
– o estresse pode ser prejudicial na descida do leite;
– não existe leite fraco;
– não existe esta história de que seio pequeno produz menos leite;
– a sua alimentação interfere no aleitamento, tenha consciência;
– preste atenção no bebê quando estiver amamentando;
– se você deseja permanecer amamentando após o fim da licença de trabalho, assim o faça. Siga o seu coração :)

Semana Mundial do Aleitamento Materno

A SMAM é considerada como veículo para promoção da amamentação. Ela ocorre em 120 Países e é celebrada de 1 a 7 de agosto. A Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (WABA) define, a cada ano, o tema a ser trabalhado na SMAM.

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#smam2017