É inevitável ter uma filha de dois anos e não ter acesso a milhares de referências sobre os “terrible two”, a adolescência do bebê e inúmeros relatos de filhos que se transformaram (e muito!) nessa idade.

Sempre li esse tipo de texto um pouco incomodada com toda essa carga negativa e desesperadora. Tentei consumir muitos materiais tanto positivos quanto negativos referentes a idade para que, quando Liz passasse por essa fase, eu já tivesse estratégias de como conduzi-la.

Hoje passo por ela. Vejo claramente situações em que ela quer se impor, tomar suas decisões, fazer valer sua opinião, se afirmar como indivíduo e se frustrar quando algo não sai como o esperado. E foi fundamental na nossa relação criar oportunidades para ela se acalmar quando essas crises acontecem.

Quando tudo vira uma bola de neve e ela se perde no meio das suas frustações – chorando, deitando no chão, gritando, e nenhum tipo de abraço, aconchego, ou opção faz sentido, pois ela  já se desorganizou, uso duas técnicas que por aqui funcionaram muito bem na maior parte das vezes.

A primeira é dar a ela a oportunidade de se acalmar sozinha. O que faço é preparar rapidamente uma bandeja com  alguma transferência – sua brincadeira favorita. Nessa bandeja coloco de maneira organizada alguns vasilhames e colheres e um material para ela transferir  – seja água, café, arroz, macacão, feijão. Coloco a bandeja na mesa que costumamos brincar e Liz, se quiser, vai para lá.

Enquanto transfere, fica em silêncio, respira, concentra, se acalma. E eu também tenho a oportunidade de respirar. No meio do caos, do choro e desespero esse respiro é necessário para ambas. Todos precisamos de um tempo para respirar, inclusive uma criança que precisa encontrar seu eixo novamente. Funciona demais por aqui. E usamos muito essa técnica sempre com algum elemento novo para que desperte seu interesse – um material que não brinca já há algum tempo, um funil ou um recipiente que nunca brincou.

Uma outra coisa que funciona por aqui é sairmos para um parque próximo sem celular e com no máximo uma bola na mão. Confesso que tomo o caminho mais longo pra não passar em frente ao escorregador e gangorra  e vamos para o fundo do parque – lá, procuramos formigas carregando gravetos, fazemos comidinha de pedra, jogamos bola, corremos, olhamos pro céu e deitamos na grama. Juntas. Conectadas. Não necessariamente falando. Comunicando-nos nesse brincar. Liz cansa, distrai, se reconecta comigo. É garantia de um dia tranquilo.

Eu, nessa cena de textos tão rigorosos ou tão desconcertantes sobre os dois anos, gostaria de deixar um deles escrito com a minha experiência para contar para vocês, que passam ou que vão passar por essa idade para te contar que pode acontecer essas situações sim. Mas a maneira como lidamos com ela faz toda a diferença. Te convido a pegar uma bola, deixar a foto para depois e sair para brincar entre tantas opções verdes daqui de Beagá, ou de sua cidade. Garanto que não fará só bem aos pequenos. E de bônus ainda trará memórias deliciosas sobre esses dois anos! Tenta aí e me conta!