Foto: Tanto Mar Fotografia

 

“O primeiro instinto da criança é agir sozinha, sem a ajuda de outrem, e o seu primeiro ato consciente de independência é defender-se dos que procuram ajudá-la.”  
Maria Montessori

Sempre falo sobre a importância de estimular o hábito da leitura desde pequeno e como isso ajuda a criança no seu desenvolvimento. Quero falar de outro aspecto do desenvolvimento infantil que considero essencial e que faço questão de trabalhar com meu filho diariamente: a autonomia. De acordo com o dicionário, autonomia é um termo de origem grega cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou autossuficiência. Mas de que modo podemos fazer nossos pequenos conquistarem essa autonomia? É claro que ela está relacionada à idade, às possibilidades de aprendizado para cada faixa etária.

Neste texto gostaria de estabelecer uma relação entre a construção do hábito de leitura e a autonomia, como a autonomia na escolha dos livros pode tornar-se uma aliada ao desenvolvimento do hábito de leitura. Para isso, vou recorrer aos ensinamentos de Maria Montessori, que é referência quando se trata de dar à criança liberdade para alcançar seu aprendizado. Um dos pilares da educação Montessoriana é o Ambiente Preparado, que deve ser organizado para a atuação da criança, para que ela interaja com o meio, de modo a desenvolver sua autonomia e a construção de uma independência em relação ao adulto.

Podemos pensar nesse ambiente preparado quando criamos os espaços de leitura em nossas casas ou na escola. É importante que a criança pequena tenha acesso aos livros, que ela possa pegá-los e manuseá-los, que possa escolher o livro que quer “ler”. Quando procuramos por imagens de quartos montessorianos, sempre vemos estantes pequenas, de geralmente 1 metro de altura que deixam os livros disponíveis para a escolha da criança.

Outra forma de aproximar o livro dos pequenos, caso não disponha da estante adequada, é colocá-los em caixas de papelão encapadas e colocar as caixas no chão. Nessa segunda opção, os pais podem fazer uma pré-seleção dos livros, que podem ser trocados semanalmente, de modo que os livros saiam da estante alta e venham para perto da criança.

 

 

Com isso, damos à criança a oportunidade de pegar os livros no momento que quiser, ela pode selecionar o que quer ler, que história quer ouvir naquele dia. Podemos propor que cada pessoa da família escolha um livro que será lido e compartilhado por todos, por exemplo. Ao ter contato com uma biblioteca de verdade, essa criança vai se sentir livre e preparada para fazer suas próprias seleções. Ela vai perceber que pode ter preferências e gostos diferentes dos demais e que pode compartilhar com os outros a leitura de que mais gostou, a personagem com a qual mais se simpatiza, as gravuras que mais aprecia.