Entenda que apesar de todos os percalços, você sempre fez o melhor possível pelo seu filho, mas o sentimento de culpa é compreensível, uma vez que antes de tudo, os pais são mantenedores da vida no que se refere à sobrevivência. Até mesmo os pássaros alimentam seus filhotes no ninho e ficam por perto até que eles sejam capazes de se manter sozinhos.

Acredito piamente que seu comportamento pode ajudar a sua criança a comer melhor, mas o fato de você ter tanta influência na solução não significa, necessariamente, que você foi o motivo do problema. Criança comendo mal é muito mais comum do que se imagina, e em algumas idades, a seletividade e a inapetência, chega a ser até esperado cientificamente devido a mudanças no metabolismo e na cognição.

Comer é algo extremamente complexo. É a única tarefa corporal que necessita do uso de absolutamente todos os órgão e todos os sentidos. De acordo com a fonoaudióloga Patrícia Junqueira, autora do livro “Por que meu filho não quer Comer”, 30% das crianças que tem desenvolvimento normal e até 80% das crianças que apresentam algum problema no desenvolvimento, possuem dificuldades nessa área, e comer mal, é um sintoma relacionado a uma média de 204 diferentes diagnósticos.

Investigar o passado e as possíveis causas nem sempre ajuda a encontrar uma solução e podem gerar um sentimento de angústia do tipo “onde foi que eu errei?” O desafio é pensar no que pode ser feito a partir de agora, nesse exato momento. Se você consegue manter a sua cabeça no eixo dos seus pés (nem no que passou e nem no que está por vir, mas no presente momento), você consegue ver de forma clara o que precisa ser feito, e parte para a ação. O seu estado de consciência deixa de ser controlado pelas condições externas e você deixa de agir a partir de uma resistência e passa a agir baseado na sua realidade.