Férias escolares, mamãe professora e filhinhos em casa. Quase nada nos lembrava da rotina dos dias de semana, a não ser a ausência do papai de 8h às 18h.
Num dia qualquer, abrindo a caixa de correio, encontramos em meio às contas a pagar e propagandas – que nunca tiram férias – um envelope escrito à mão. Papel timbrado, logomarca conhecida de todos, e uma caligrafia um tanto familiar. Crianças eufóricas com a constatação de que havia uma correspondência em seus nomes.
De dentro sacamos um papel amarelo, de mensagem singela porém encantadora: “Beatriz e Gabriel, tudo bem com vocês? O papai ama muito nossa família. Vocês são motivo de muita alegria para mamãe e papai. Brinquem muito e cuidem da mamãe. Beijos! Papai Matheus”
Mamãe agora via dois pares de olhos vidrados, cheios de saudade e irradiando o amor daquele pedaço de papel. Dava pra sentir o quanto a distância maltratava a todos nós.
– Mamãe – diz a menina – vamos fazer o bolo favorito do papai pra hora do café?
Carta no mural do quarto, crianças na cozinha. Pronto! Papai estava em casa nas férias. Enfim a família estava completa.