Foto: Julia Baeta

 

Querem que elas sejam independentes, que comam todo o prato variado com cinco cores, que sentem à mesa tranquilas, que durmam a noite toda em seu próprio quarto, que guardem todos os brinquedos, que não briguem com os amigos quando pegam os brinquedos, que não tenham ciúmes do irmão mais novo que chegou e que tem muita atenção da mamãe que antes era só delas. Querem que vão para a escola animadas, que voltem com saudades, que sejam carinhosas, que deem beijinhos e abraços em todos que encontram na rua, que falem obrigado e por favor, e que brinquem baixinho pra não incomodar o vizinho. Que acordem tarde durante o fim de semana e que durmam cedo também, de dentes escovados e fio dental passado.

Expectativas irrealizáveis para crianças pequenas. Cobram gentileza e a correção é feita no grito. Cobram a tranquilidade que as crianças não vivem na prática do dia a dia. Cobram educação quando não se pede por favor para os pequenos. Cobram uma maturidade para um cérebro pré frontal que ainda não foi nem desenvolvido. Quando vamos parar para nos abaixarmos e escutarmos o que a criança quer? Quando iremos verdadeiramente olhar para ela?

Precisamos, antes de tudo, nos situar sobre nossos filhos: estudar o mínimo sobre desenvolvimento infantil para entender comportamentos e limitações da realidade infantil . Não podemos chegar na pracinha e dar sermão para uma criança de um ano e meio sobre dividir com o colega e pensar que aquilo está surtindo algum efeito. Precisamos pensar na maneira como falamos com a criança, sabendo que ela aprende o que vive e não o que escuta.

Depois precisamos olhar pra criança. Entender a brincadeira como sua linguagem principal. Deixar o celular pra lá, sentar no chão e brincar, olhar, conectar, conversar. Sair a pé pelo quarteirão para ir à padaria comprar um picolé, conversar sobre o livro legal que viu no quarto, pegar pedrinhas e ir passando no muro enquanto vão caminhando. Juntar folhas que caíram na calçada, esperar enquanto ela olha para o céu procurando o avião, ver que a nuvem está com formato de cachorro por entre o céu.

Acolher o choro quando ele acontecer ( porque vai acontecer por inúmeros motivos irrelevantes para nós e significativos para a criança), explicar para ela o que ela está sentindo, pensar em maneiras de resolver o problema juntos.

Ser gentil com a criança que está exatamente na sua frente, pequena, interessada em você, e somente em você. Não no que você tem, mas no que você é: coisa linda isso! Ainda insistimos que nós a ensinamos o tempo todo.Repensar  a maneira que olhamos para crianças pequenas, como escutá-las e que fase de desenvolvimento ela está  nos faz ter expectativas possíveis. Com menos frustração sobrará tempo para uma maior conexão. Conectada, o diálogo fluirá mais tranquilo. E a vida segue mais leve. E feliz!