“Pára de chorar, deixa chorar, não precisa chorar, jogue o chorinho fora, engole o choro, colo sem chorinho, que feio você chorando…”

Fazer sistematicamente uma criança pequena parar de chorar não tem ligação sobre a relação da criança com o choro, mas sim conosco, educadores. Normalmente nos incomoda, irrita, chama a atenção para nós mesmos e quando estamos em público, nos expõe. Sendo assim, fazer a criança parar de chorar de uma maneira mais rápida é sempre a primeira opção que vem à nossa mente.

Muito desse comportamento vem naturalmente de uma reprodução de ações de nossos cuidadores. Pensar em como fomos olhados e cuidados, nos faz mais conscientes das nossas reproduções e é um passo para um caminho livre, para uma parentalidade consciente. Nada é mais libertador do que escolher como agir ao invés de reproduzir comportamentos automaticamente.

É interessante também pensar porque esse choro existe. A criança é pequena e não tem repertório para entender tudo que sente. A criança não tem córtex pré frontal desenvolvido, e não consegue racionalizar a emoção que chega capotando e atropelando qualquer tentativa de calá-la. A criança está frustada. E ela não sabe como por para fora esses sentimentos. Então ela chora. O choro pode ser um pedido de ajuda, um pedido deslocado de atenção, pode ser um sentimento novo, ou pode ser alguma frustração infantil ( afinal, são crianças, é esperado que tenha comportamentos infantis) .

Cabe a nós acolher o choro. Cabe a nós acalmá-la validando seu sentimento por detrás do comportamento. Cabe a nós como referência principal não gritar em um momento de descontrole da criança, para que ela tenha a referência de tranquilidade. Cabe a nós sermos o adulto da relação. É difícil sim, é desafiador sim, e é um exercício diário mas é preciso em algum momento respirar e desconectar daquele ambiente desorganizado e caótico e nos conectarmos  com aquilo que nos propusemos a ser, cuidadores respeitosos e empáticos.

Não dá para desabafarmos diariamente lamentando que não somos mães/pais perfeitos. Porque isso todos nós já sabemos que não somos. Mas dá pra sermos melhores do que ontem e, caso não sejamos pedir desculpas e recomeçar no outro dia com o propósito de sermos melhores referências. Se até nós precisamos de colo em um dia ruim, imaginem nossos pequenos que ainda escutam daqueles que mais amam que para tê-lo é preciso primeiro parar de chorar.