Foto: Patrícia de Sá

Você já parou para pensar em como você era criativo e autêntico quando era criança? Como você confiava nas pessoas, como você achava tudo lindo (inclusive você mesmo)? Por que será que ao longo do tempo vamos ficando com medos, receios, inseguranças e construindo crenças negativas sobre o mundo e sobre a gente mesmo?

Passamos a fazer coisas só para agradar as pessoas ou por medo das consequências. Passamos a não saber mais o que é nosso e o que é do outro. Sentimos que precisamos nos defender de tudo e de todos. Perdemos a nossa liberdade e a coragem de ser quem somos.

Trago essa reflexão pois acredito que como adultos que convivem com crianças, precisamos nos despertar para esse ato de ruptura que normalmente parte da gente. Quando nos lembramos da nossa infância e olhamos para a ruptura que aconteceu em nós, fica mais fácil observar nosso papel atual com as crianças e refletir o quanto estamos contribuindo para que nossos filhos, sobrinhos, afilhados, etc, percam a coragem de ser quem são.

Um dos caminhos que nos levam a contribuir com essa ruptura são nossas expectativas.

As expectativas que temos em relação a quem desejamos que a criança seja. Quando ela não é aquilo que sonhamos, quando ela tem comportamentos e atitudes que quebram as nossas expectativas, desejamos mudá-la. Desejamos intensamente ensiná-la a ser quem a gente gostaria que ela fosse.

Desejamos intensamente ensinar a ela logo cedo como o mundo é, porque assim ela estará preparada. Antecipamos algo que naturalmente acontece. Ninguém permanece no mundo sem se dar conta de como ele é, porém isso acontece no tempo certo, não precisa ser antecipado.

A educação (seja em casa ou na escola), tem um papel fundamental na formação da personalidade da criança e também no seu processo de sua consciência humana. Nós adultos podemos facilitar ou dificultar esse processo.

“Projetamos nossas mazelas nas crianças e queremos fazer delas aquilo que acreditamos ser o melhor. Mas nem sempre temos razão quanto ao que é melhor, justamente porque trata-se de uma crença, ou seja, de uma imagem rígida a respeito de algo. A crença é construída a partir de situações negativas do passado. Isso significa que algo deu errado, alguma coisa te machucou, então você passou a acreditar que a vida é sempre assim. Trata-se de uma generalização.”

(Sri Prem Baba em seu livro “Propósito”)

Nosso desafio como adultos, é estar conscientes e atentos a nós mesmos, às nossas crenças, expectativas, desejos e experiências da criança que fomos, e do adulto que construímos.

Precisamos buscar autoconhecimento, apoio, para não agir com as nossas crianças com base nos nossos traumas. Precisamos dar às nossas crianças a chance de ser quem elas são, de cumprirem seu propósito, de seguirem seu caminho natural. Com o nosso apoio, claro. Nós somos a margem que conduz o rio. Mas a margem jamais se transforma em barreira impedindo o rio de fluir. A margem é apenas aquela que está sempre lá para guiar. Um guia, uma marem suave e presente ao mesmo tempo.

Que essa reflexão se torne para você uma chance de olhar para si mesmo e estar mais consciente sobre o quanto nós adultos podemos influenciar a vida de uma criança.

Com amor,
Mari