Por Jaime A. Cury e Mônica Barreto

A correta indicação da pasta de dente é muito importante para a prevenção da cárie no bebê. Acontece que as orientações diferem bastante se nos basearmos nas notícias veiculadas pelas redes sociais. Vamos mostrar aqui a postura unânime dos órgãos responsáveis: Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Odontopediatria, Academia Americana de Odontopediatria  e Sociedade Brasileira de Pediatria, em relação às recomendações sobre pasta de dente para crianças, baseada nas mais recentes pesquisas.

“Pequena quantidade de pasta de dente fluoretada, com concentração de flúor de no mínimo 1000 ppm F, pelo menos duas vezes ao dia, desde o primeiro dente.” E a  Associação Brasileira de Odontopediatra ainda orienta:

:: Bebês, com até oito dentes na boca ou com menos de 10 Kg: colocar a quantidade equivalente à metade de um grão de arroz cru (0,05g).
:: Bebês e crianças, que não sabem cuspir, e com mais de 10 Kg: colocar a quantidade equivalente a um grão de arroz cru (0,1g);
:: Crianças que sabem cuspir: colocar a quantidade equivalente a um grão de ervilha (0,3 g).

Quantidade ideal de pasta de dentes
Escova verde: bebês – metade de um grão de arroz cru (0,05 g)
Escova rosa crianças que não sabem cuspir – grão de arroz (0,1 g)
Escova azul: crianças que sabem cuspir – grão de ervilha (0,3 g)

Essas pequenas quantidades são recomendadas para uma maior segurança do uso de flúor com relação à fluorose dental. Fluorose ocorre em decorrência da ingestão excessiva de flúor durante a formação dos dentes, que pode comprometer a estética dental, mas isso só ocorre quando flúor natural presente em água de poços é ingerida. A fluorose provocada em crianças pela água otimamente fluoretada e pela escovação dos dentes com dentifrício fluoretado não compromete a qualidade de vida das pessoas. Entretanto, dentifrícios devem ser usados só para escovar os dentes e não devem ser manipulados por crianças, pois podem ser inadvertidamente ingeridas especialmente devido ao sabor agradável. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria “até que as crianças não forem capazes de cuidar de si próprias, a escovação dental é responsabilidade dos pais ou cuidadores”.

Orientar crianças a escovar os dentes é um processo educativo como qualquer outro.  Por outro lado, em função do fato de que crianças podem ingerir pasta, as sem flúor passaram a ser disponibilizadas no comércio. Se a criança estiver sujeita à cárie, a utilização da pasta de dente sem flúor levará a mesma a ter mais chance de desenvolver a cárie.

As pesquisas clínicas se intensificaram nesta área e há unanimidade nos meios odontológicos quanto à indicação da pasta de dente com flúor na concentração padrão de 1000 a 1450 ppm F. O benefício do flúor do dentifrício para diminuir a chance de uma criança vir a desenvolver cárie nos dentes decíduos (de leite) e permanentes no futuro está fortemente baseado em evidência de dezenas de estudos clínicos. Essa dose foi definida como segura. A escovação deve ser monitorada por um adulto e a pasta de dente guardada fora do alcance da criança, com os mesmos cuidados que damos a um medicamento. Hoje a realidade é a presença de lesões de cárie que muitas vezes não estariam ocorrendo se a pasta de dente fluoretada estivesse sendo usada conforme as recomendações dos Órgãos de Odontologia e Pediatria.

Importante: Atenção na hora de comprar, pois não há clareza na embalagem quando referenciado por idade. Temos pastas de dente disponíveis com 500 ou com 750 ppm de flúor, indicando idade até 4 anos, por exemplo. Estas não são nem um pouco efetivas para a prevenção de cárie. Fique atento à indicação da concentração de flúor da pasta de dente, que deve estar entre 1000 e 1450 ppm F. 

No próximo post vamos falar do controle do açúcar na alimentação da criança e seu papel determinante na prevenção da cárie. Flúor é a mais eficaz substância para reduzir cárie, mas quando isso é combinado com a disciplina do consumo de açúcar o resultado será crianças “cárie zero”. Cárie não é provocada pela falta de flúor, mas sim pelo consumo indisciplinado de açúcar! 

Este post é a continuação da série: Meu bebê tem um dentinho, e agora? . Leia também “A escolha da escova de dente do bebê“.

Este post contou com a colaboração do conceituado professor Jaime Aparecido Cury, dentista, mestre e doutor em Bioquìmica, pós-doutor pela Universidade de Rochester, EUA.